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Folha de Pernambuco online

Estudo diz que cigarro pode causar artrite

Publicado em 13 março 2011

Por RUBENS ZAIDAN


Um mecanismo que desencadeia a artrite reumatoide em fumantes foi identificado por pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP. Já se sabia que quem tem predisposição genética e fuma pode sofrer dessa doença inflamatória crônica, que causa dores e rigidez matinal nas mãos e nos pés.  Agora, o estudo do biomédico Jhimmy Talbolt, defendido como dissertação de mestrado, revela como isso acontece. Quando a pessoa fuma, uma das células do sistema de defesa - a TH17 - é sensibilizada e fica doente.

Ao ser estimulada pelos hidrocarbonetos aromáticos da fumaça do cigarro, a TH17 passa a orientar o sistema de defesa a destruir articulações das mãos, pés, joelhos, punhos, cotovelos e tornozelo.

O professor de reumatologia da FMRP e orientador de Talbot, Paulo Louzada Junior, disse que o resultado pode ser o ponto de partida para o desenvolvimento de uma droga que reduza os sintomas da doença com mais eficiência ou até interrompa o processo de deterioração das articulações periféricas.

Segundo Louzada Junior, a artrite reumatoide atinge 1% da população adulta brasileira e a descoberta é inédita na literatura científica. A pesquisa, com financiamento do CNPq e da Fapesp, acompanhou durante dois anos 138 pacientes com artrite reumatoide (metade fumante) e um grupo-controle com 129 pessoas sadias. Foram comparadas as mutações genéticas do sangue de pacientes fumantes e não fumantes com o sangue do grupo-controle.

Essas informações foram relacionadas aos dados clínicos de cada um, constatando que a fumaça do cigarro e a célula TH17 estavam ligadas à artrite reumatoide. “Em modelos experimentais em camundongos, constatamos que os receptores de hidrocarboneto arila (da fumaça do cigarro) provocavam o aumento do número das células TH17 e a piora da doença’’, diz Talbot. Louzada Junior explica que o receptor da célula TH17 se danifica com a fumaça porque é sensível ao hidrocarboneto arila. “Esse receptor elimina poluentes dentro do corpo. Só que, se tiver essa alteração genética, o sistema pode estimular a célula do sistema de defesa a causar a doença”.

 

AGRAVANTE

 

Para o reumatologista José Goldemberg, da Unifesp, conhecer esse mecanismo pos­sibilita tratar o problema com conhecimento ci­en­tífico. “Sem a ‘achometria’, que é a medida do a­chis­mo”. Segundo Ari Halpern, reumatologista do hospital Albert Einstein, muitos estudos têm demonstrado relação entre o cigarro e a artrite e, entre os fatores que alteram o prognóstico da do­ença, o fumo é um dos ma­is importantes.