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Estudo de sedimentos marinhos mostra como parte do Nordeste se tornou semiárido

Publicado em 11 maio 2021

Os padrões de chuvas associados à chamada Zona de Convergência Intertropical impactam aproximadamente 11% da população do Brasil, concentrada no Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Pois um estudo liderado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Cristiano Chiessi mostrou que a precipitação sobre o norte do Nordeste do Brasil diminuiu sistematicamente durante os últimos 5 mil anos.

Esses Estados possuem clima semiárido em grandes extensões e aproximadamente metade de toda a precipitação anual ocorre em apenas dois meses do ano: março e abril. Tais chuvas fazem parte do cinturão tropical de precipitação quando este atinge sua posição mais ao sul, sobre o norte do Nordeste brasileiro. Durante o restante do ano, o cinturão desloca-se mais ao norte, sendo responsável pelo pico de precipitação na região costeira da Venezuela, entre julho e agosto.

“Analisamos a razão entre as concentrações dos elementos químicos titânio e cálcio – o titânio oriundo da erosão das rochas continentais e o cálcio proveniente das conchas dos organismos marinhos. Além disso, levantamos a taxa de acumulação de sedimentos continentais no fundo do oceano e a composição dos isótopos de hidrogênio nas ceras de plantas continentais encontradas nos sedimentos marinhos. Esses três conjuntos de dados, juntamente com a análise de resultados de um modelo climático numérico, apontam para a contração do cinturão tropical de precipitação durante os últimos 5 mil anos, em vez do sugerido deslocamento para o sul”, informa Chiessi, para a Agência Fapesp.

Até o fim deste século, os modelos climáticos numéricos sugerem uma contração do intervalo latitudinal de oscilação do cinturão tropical de precipitação, o que diminuiria ainda mais as chuvas na porção norte do Nordeste do Brasil, com consequências socioambientais potencialmente severas. Porém, caso a grande circulação das águas do Atlântico se enfraqueça substancialmente, transpondo um limiar crítico, como prevê outro estudo de Chiessi, o Atlântico Sul deverá aquecer mais do que o Atlântico Norte, forçando o cinturão para o sul.

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