Notícia

Folha Metropolitana

Estudo da USP sobre surdez vence prêmio nacional de saúde pública

Publicado em 24 junho 2009

"Prevalência da surdez incapacitante no Brasil", da Faculdade de Medicina da USP em parceria com a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), foi o trabalho vencedor do 1º Prêmio Inovação Medicai Services - Novos Caminhos em Saúde Pública, lançada pela Sanofi-Aventis do Brasil, na categoria Projetos. O estudo será tema da tese de doutorado da médica otorrinolaringologista e professora da UFJF, Letícia Raquel Baraky, e tem a orientação do professor titular de Otorrinolaringologia da FMUSP, Ricardo Ferreira Bento.

Financiado pela Fapesp, o estudo epidemiológico abrange mais de mil moradores de 308 residências de juiz de Fora, no interior de Minas. O trabalho de campo já foi encerrado e está na fase de análise estatística. Foram aplicados questionários e realizados exames audiométricos. A médica Letícia Baraky explica que o objetivo do trabalho é avaliar as questões que influenciam a surdez, e Juiz de Fora servirá de modelo para que o estudo seja aplicado em outras cidades. Co-orientado pela professora doutora Nádia Raposo, da UFJF, o trabalho mostra a prevalência da surdez na população brasileira e relaciona a perda auditiva com outras doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão arterial.

O projeto tem como meta, ainda, avaliar a situação brasileira em relação aos transtornos auditivos, de maneira quantitativa e possibilitando o planejamento eficaz para a sua redução e o tratamento precoce. O estudo trará dados úteis à população de Juiz de Fora e se integrará aos estudos nacionais. Segundo Bento, os dados epidemiológicos coletados nesse levantamento serão de extrema importância para municiar as autoridades de saúde no direcionamento das ações de saúde pública, uma vez que até agora as estratégias eram baseadas em trabalhos internacionais, que não se ajustam à nossa realidade.

De acordo com a médica Letícia Baraky, outros objetivos específicos são realizar levantamento socioeconômico a fim de se estabelecer possíveis correlações da surdez e fatores sócio-econômicos-culturais encontrados em diferentes faixas etárias; identificar as causas de perda auditiva incapacitante e comparar os resultados, dentro das faixas etárias estudadas, com dados mundiais de referência; criar um banco de dados regional para avaliar mudanças e eficácias das intervenções realizadas; e identificar possíveis variantes ambientais relacionadas à surdez incapacitante, relacionando-as a fatores de risco/proteção.