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Estudo da USP mostra que vitamina D não reduz tempo de internação em casos graves de Covid-19

Publicado em 19 fevereiro 2021

Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostrou que suplementar vitamina D não reduziu nem o tempo de hospitalização nem a necessidade de UTI em pacientes moderados a graves de Covid-19. Ele foi publicado no Journal of American Association of Medicine (JAMA) na última quarta-feira (17).

A pesquisa foi conduzida com 240 pacientes internados com a doença entre junho e agosto do ano passado no Hospital das Clínicas e no Hospital de Campanha do Ibirapuera.  Todos tinham estados avaliados de moderado a grave.

Metade deles recebeu uma dose única e alta de vitamina D (200 mil Ul) em forma de xarope. Os demais, um placebo. Todos os participantes foram tratados com o protocolo hospitalar padrão, que envolvia antibióticos e anti-inflamatórios.

Os pesquisadores tinham como principal objetivo avaliar se a dose alta da vitamina D teria impacto no tempo de internação dos pacientes. Mas também foi observado se haveria redução da necessidade de UTI, intubação e morte.

E o resultado foi que, em nenhuma dessas hipóteses, houve diferença significativa entre os grupos. “O tempo mediano de internação foi o mesmo entre os pacientes suplementados e os que receberam placebo, sete dias. No primeiro grupo variou de 4 a 10 dias e, no segundo, de 5 a 13 dias”, disse Rosa Maria Pereira, professora da FMUSP e coordenadora do estudo, ao Jornal da USP.

Outros dados não mostraram diferenças significativas. A mortalidade foi de 7,6% com a vitamina D e 5,1% com o placebo. A necessidade de UTI foi de 16% para os pacientes suplementados e 21% para os que receberam a substância inócua.

Casos leves em estudo

A coordenadora da pesquisa ressalta que ela se aplica apenas a casos moderados e graves da Covid-19. O estudo teve apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A professora diz que o estudo não avaliou o efeito da suplementação em pessoas com formas leves de Covid-19 e nem como forma de prevenção. Ela afirma que um novo estudo irá verificar se a concentração de vitamina D no sangue tem relação com o desenvolvimento de doença leve ou não.

Com informações do Jornal da USP