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Estudo da USP encontra grande diversidade de bactérias em áreas do Hospital das Clínicas

Publicado em 06 junho 2016

Uma pesquisa feita no Hospital das Clínicas de São Paulo identificou 926 famílias de 2.832 gêneros de bactérias em superfícies conhecidas como “pontos de contato”, aquelas frequentemente tocadas. Os pesquisadores já consideraram que o número seria altíssimo -já que a quantidade de pessoas que circulam no hospital é igualmente alta, mas a diversidade surpreendeu a equipe.

 

O trabalho, publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health, foi coordenado por Sabri Saeed Sanabani, infectologista e pesquisador do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, ligado à USP. A equipe foi integrada pelos pesquisadores Tairacan Augusto Pereira da Fonseca, Rodrigo Pessôa, e Alvina Clara Felix. O projeto teve apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo).

 

Tamanha diversidade encontrada de micro-organismos foi possível com um sequenciamento genético de última geração capaz de identificá-los individualmente. O pesquisador Sabri Sanabani explica que algumas bactérias encontradas são as que participam da flora normal da cavidade oral humana, trato gastrointestinal e do trato genital feminino. “No entanto, infecções invasivas podem ocorrer quando estas bactérias entram na corrente sanguínea”, diz Sanabani ao Saúde!Brasileiros.

 

Outros micro-organismos mais preocupantes foram encontrados, mas em níveis baixos. Um deles foi o Streptococcus pyogenes (também conhecido como streptococos do grupo A). Trata-se de um importante agente patogênico humano que causa uma variedade de doenças em indivíduos com baixa imunidade.

 

Outras bactéria patogênica detectada em níveis baixos foi a Staphylococcus aureus. “A bactéria é preocupante para a saúde pública pois apresenta um grande repertório de fatores de virulência, incluindo produtos de sua estrutura e produtos secretados que podem desencadear infecções em diversos órgãos”, diz Sanabani.

 

 

Limpeza e lavagem das mãos podem evitar transtornos

 

Segundo Sanabani, mais de 90% desses agentes podem ser eliminados com o combo álcool, sabão e álcool. As mãos são o principal órgão transmissor destas bactérias, mas a higiene geral é importante para diminuir as contaminações. A limpeza também é essencial, principalmente nas superfícies muito tocadas, como maçanetas, teclados, botões. “A melhor forma para diminuir a contaminação bacteriana em qualquer ambiente seria com medidas simples de higiene pessoal, estimuladas com campanhas educativas constantes, como cartazes, avisos sonoros”, diz.

 

O pesquisador enviou a pesquisa para o Hospital das Clínicas, que irá analisar o material para aprimorar a limpeza. Sanabani diz, entretanto, que os riscos do material encontrados não são preocupantes. “As amostras foram coletadas em ambientes de grande circulação e longe das áreas mais isoladas, onde se encontram os pacientes mais debilitados”, diz. “Esperamos que os resultados deste estudo se somem aos esforços que já vem sendo adotados pelos setores responsáveis para o controle das infeções hospitalares no HC”.

 

Embora a pesquisa tenha sido feita em ambiente hospitalar, o pesquisador pontua que a higienização é imprescindível em qualquer ambiente para que se diminua a população de bactérias. “Outros trabalhos mostram a grande variedade das bactérias presentes em superfícies mais tocadas em residências e academias de ginastica”, diz. “As medidas adotadas não precisam ser tão restritivas quanto em um hospital, mas também deve ser realizada a higienização constante.”

 

A equipe de Sanabani planeja agora fazer um estudo para mapear micro-organismos no sistema de ar condicionado do metrô de São Paulo, mas os detalhes ainda estão sendo discutidos.