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Estudo da Univap busca nova forma de combater o câncer

Publicado em 16 janeiro 2005

Descobrir por que as pessoas reagem de formas diferentes ao tratamento contra o câncer é o objetivo da nova pesquisa do Laboratório de Genomas da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José, que deve ser iniciada este ano.
Para o trabalho, já foram coletados mais de 300 tumores de pacientes do Vale do Paraíba e de outras regiões, que agora serão estudados individualmente. Esta será a quarta etapa do estudo do genoma clínico do câncer realizado na Univap.
"Os pacientes dos quais fizemos a coleta dos tumores estão sendo acompanhados. Queremos saber o grau de agressividade de cada tumor e o tratamento mais adequado", disse um dos coordenadores do Núcleo de Pesquisas de Genoma da Univap, o professor Francisco Nóbrega.
A intenção, segundo ele, é identificar os genes que, em comparação ao tecido normal, estão muito ou pouco ativos nos tumores, para associar essa informação ao grau de malignidade.
"As pessoas se comportam de maneira diferente frente ao mesmo tratamento. Mas não sabemos por que isso acontece. É isso que queremos descobrir", disse.
Os tumores estudados são todos de cabeça e pescoço. "Escolhemos esse tumor devido à alta incidência no Brasil. Em geral, as pessoas demoram a perceber que estão doentes e a cirurgia é muitas vezes mutilante", disse.
O pesquisador explica que o grande desafio hoje é identificar o tumor antes que ele se espalhe pelo organismo. "O ideal seria se o médico pudesse ter um conhecimento prévio de que determinado tumor precisa de atenção especial. Isso facilitaria a condução do tratamento", disse.

Tratamento - Também é objetivo da pesquisa sugerir à medicina novos métodos de tratamento. O genoma é conjunto de genes de uma espécie que está contido na área da ciência denominada genética, que é responsável pelo estudo da reprodução, herança, variação e de aspectos relacionados à descendência.
A pesquisa nos genes das células com câncer realizada pela equipe da Univap deverá ajudar a mapear a evolução da doença na cabeça e no pescoço, em casos específicos. A pesquisa será desenvolvida nos próximos quatro anos. O prazo pode ser prorrogado.
O projeto faz parte da pesquisa do Genoma do Câncer, que é financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em parceria com o Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer.

Recursos - No entanto, para a continuidade da pesquisa, a equipe depende ainda da liberação de recursos pela FAPESP. O projeto já foi encaminhado e os pesquisadores aguardam resposta.
Segundo Nóbrega, os estudos deverão consumir cerca de US$ 40 mil por ano. "Genética molecular é sempre muito cara. E o valor é esse porque já temos um laboratório todo estruturado, por conta das outras fases da pesquisa, e precisaremos adquirir poucos itens adicionais neste caso", disse.