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Estudo da Unesp avalia efeito de anestesia após cirurgia

Publicado em 26 julho 2012

Estudo feito na Faculdade de Medicina da Unesp, Câmpus de Botucatu, investigou o efeito dos dois anestésicos inalatórios mais usados – o isoflurano e o sevoflurano – na reação inflamatória desencadeada no organismo após uma cirurgia.

A investigação foi feita em ratos submetidos a um procedimento para a retirada de um dos rins e revelou que a droga isoflurano causou maior liberação de uma das substâncias inflamatórias avaliadas.

Quando se passa por uma cirurgia, o organismo entende que está sofrendo uma agressão e libera as chamadas citocinas inflamatórias. Elas ativam a coagulação sanguínea e ajudam a evitar hemorragias.

Para Norma Sueli Pinheiro Módolo, professora da FM e coordenadora da pesquisa financiada pela Fapesp, essa reação é esperada mas não pode ser exagerada por causa do risco de trombose.

A pesquisa tenta descobrir um anestésico capaz de modular a resposta inflamatória. Ela não pode ser anulada, pois o paciente sofreria hemorragia. Mas também não pode ser muito exacerbada pela droga. Isso é importante principalmente em pacientes de maior risco, como cardiopatas.

Para comparar o efeito das duas substâncias, 16 animais foram divididos em dois grupos. Metade recebeu isoflurano e os demais, sevoflurano. Amostras de sangue da cauda foram colhidas em quatro momentos diferentes: antes da aplicação dos anestésicos (M0), uma hora após a anestesia (M1), meia hora após a cirurgia (M3) e 24 horas após a cirurgia (M4).

Foram medidas cinco diferentes citocinas inflamatórias: o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), o interferon gama (INF-γ) e as interleucinas 12, 6 e 10. Com exceção da interleucina 10, que tem ação anti-inflamatória, as demais são todas pró-inflamatórias.

O resultado dos testes mostrou que as drogas causaram alteração significativa apenas na liberação do TNF-α e principalmente no grupo que recebeu a droga isoflurano.

O TNF-α é a primeira citocina liberada após uma lesão e tem a missão de ativar a chamada cascata inflamatória no organismo. Em uma situação de trauma ou infecção, ela induz febre, ativa a coagulação, causa vasodilatação sistêmica e pode levar à hipoglicemia.

No grupo do isoflurano, a concentração de TNF-α no sangue passou de 0 nanogramas por mililitro (ng/ml) no M1 para 10,54 ng/ml no M3, ou seja, logo após a cirurgia. Na análise feita no dia seguinte, a dosagem já havia caído para 4,55 ng/ml.

No grupo do sevoflurano, o TNF-α passou de 0 ng/ml no M1 para 4,43 ng/ml no M3. No dia seguinte, a dosagem havia caído para 1,76 ng/ml. Foi assim possível perceber que o anestésico alterou a reposta inflamatória, mas não de forma exagerada. A situação já estava se normalizando no dia seguinte.

A pesquisadora ressalta, no entanto, que a investigação foi feita em animais sadios. Ela acredita que um paciente hígido submetido a uma cirurgia relativamente simples não teria problemas com nenhum dos dois anestésicos. Mas em pessoas obesas, que já possuem mais substâncias inflamatórias no organismo, ou em cardiopatas, pneumopatas e recém-nascidos, talvez esses anestésicos possam causar uma resposta inflamatória mais exacerbada.

A equipe pretende seguir essa linha de investigação, primeiro avaliando o efeito das drogas em ratos com problemas de saúde e, no futuro, em seres humanos. Também será investigada a ação de outros anestésicos, inclusive os endovenosos.

A pesquisa deu origem a projeto de iniciação científica de Diego Freitas Tavares, que contou com Bolsa Fapesp.


Assessoria de Comunicação e Imprensa, com informações de Karina Toledo, da Agência Fapesp