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Estudo da Ufopa analisa parasitas presentes na pescada-branca; seis novas espécies foram identificadas

Publicado em 17 setembro 2019

Uma pesquisa da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) analisou parasitas na pescada-branca, uma das espécies de peixe mais comuns na região. As amostras do peixe foram coletadas em dois pontos: um no rio Amazonas, no Lago Grande do Curuai, outra na foz do rio Tapajós, próximo à cidade de Santarém, no oeste do Pará. Foram coletados para a pesquisa 75 peixes.

Os parasitas são organismos que desenvolvem uma relação parasitária com o hospedeiro, retirando nutrientes para sua sobrevivência. Essa relação pode resultar em doença para o peixe, como dificuldade de locomoção, comprometimento dos olhos, dificuldades de respiração, emagrecimento, além de alterações dos padrões hematológicos.

A pesquisa "Metazoários parasitos de Plagioscion squamosissimus (Heckel, 1840) (osteichthyes: sciaenidae) de lagos de várzea da Amazônia brasileira", foi desenvolvida por Darlison Chagas de Souza, e orientada pelo professor Lincoln Lima Corrêa, e é resultado da primeira dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (PPGBEES), defendida em 30 de julho de 2019 na Ufopa.

Segundo o pesquisador, a espécie pescada-branca (Plagioscion squamosissimus) tem um aspecto comercial não somente pelo consumo da carne, mas também pela pesca esportiva. “Identificamos a necessidade de estudar esse peixe por causa dos poucos registros sobre ele, principalmente na região amazônica, onde tem grande importância comercial, estando entre as 12 espécies mais consumidas na região. É preciso conhecer a diversidade parasitária que acomete a pescada para avaliar os futuros danos que podem trazer à produção comercial”, disse ele.

Amostragem

A coleta foi realizada em agosto de 2017 e março de 2018, em parceria com a Universidade de São Paulo (Unifesp) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que possibilitou o uso de um barco com laboratório.

“Os peixes eram coletados e imediatamente levados para o laboratório no interior da embarcação, onde fazíamos a medição do comprimento e peso. Em seguida, olhos, brânquias, intestinos e nadadeiras eram retirados para a pesquisa parasitológica”, descreveu Darlison.

As análises da amostragem apontaram mais de 3 mil registros de parasitos, com a existência de 16 espécies, entre as quais: mixozoários, trematódeos, monogêneas, nematoides, acantocéfalos, cestódeos e crustáceos. O resultado, inédito, é a identificação de seis espécies de parasitos que ainda não tinham sido registrados na pescada-branca.

Nas análises, os peixes não apresentaram alterações físicas, o que é muito importante. “Encontramos peixes até com 400 parasitas, mas no quadro geral de sanidade, o animal não apresentou alteração. No ambiente natural, em geral, os peixes que apresentam alterações, geralmente, são predados”, informou.

O pesquisador destaca que os parasitas podem causar perda de peso, alterações hematológicas, alterações no crescimento ou mesmo no desenvolvimento corporal dos hospedeiros. “Essa relação dos parasitas com os peixes é muito antiga. Então, os peixes estão acostumados com os parasitas. Os peixes que podem apresentar alterações, provavelmente, são predados por seus predadores”, disse Darlison.

Nesse projeto, além dos pesquisadores da Unifesp, participaram integrantes do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA) da Ufopa, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP (Pirassununga), da Universidade Estadual Wright (Wright State University, Ohio, EUA) e do Museu Britânico de História Natural (Natural History Museum British, Reino Unido).

Impacto a saúde do consumidor

Na pesquisa, houve registro de um gênero de nematoide, o Anisakis, que, na região asiática, ocasiona casos de infecção humana. No entanto, na região amazônica, não foram realizados testes quanto ao potencial zoonótico desse parasito e, portanto, não se têm registros nesse campo.

De acordo com o pesquisador, esse resultado serve de alerta para que o pescado não seja consumido sem cozimento. “Quando o peixe é consumido cozido, frito ou assado, as formas parasitárias tendem a ser eliminadas porque são degradadas pela temperatura. Ou seja, precisamos ter cuidado com o cozimento para poder consumirmos de forma segura”, destacou.

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G1 FolhaPA