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Estudo da percepção desenvolve técnica de músicos

Publicado em 30 junho 2011

Para os amantes de música, a questão da percepção musical faz parte do processo de apreciação das canções. Já para os músicos, ter uma audição bem aguçada é importante também para o desenvolvimento de sua técnica e de sua capacidade de análise. Nesse sentido, com o intuito de unir e fortalecer as pesquisas na área, funciona no Departamento de Música (CMU) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o Laboratório de Percepção e Análise Musical (PAM).

Segundo a professora Adriana Lopes, que coordena o laboratório ao lado do professor Paulo de Tarso Salles, a ideia do PAM surgiu em dezembro de 2008. Entretanto, foi apenas no segundo semestre de 2009, com a ajuda do técnico Roberto Rodrigues, que o projeto saiu do papel. Desde o começo de suas atividades, os esforços do Laboratório têm se voltado para o objetivo de destacar a importância do estudo da percepção e da análise musical e de alcançar melhores condições de ensino e pesquisa sobre o assunto.

Por ser baseado em duas disciplinas acadêmicas da graduação, "Percepção Musical" e "Análise Musical", a principal forma de atuação do PAM é por intermédio do atendimento aos alunos que apresentam algum tipo de dificuldade com o conteúdo teórico. Esse acompanhamento é feito, na maioria das vezes, por Roberto Rodrigues, que também é músico. Nos encontros, são trabalhadas as dúvidas de sala de aula e problemas na formação anterior dos estudantes.

No âmbito da pesquisa, os docentes do Laboratório realizam orientações de diversos estudos. Segundo Adriana, alguns trabalhos de iniciação científica desenvolvidos com a ajuda do PAM já tiveram destaque em grandes eventos sobre o assunto. Ela acrescenta ainda que, por tratarem de temas que se relacionam, os projetos de pesquisa interagem bastante entre si. "Fazemos intercâmbio de trabalhos de alunos em nível de pesquisa", diz.

Para viabilizar o desenvolvimento desses estudos, o PAM entrou com um pedido de equipamentos junto ao Programa de Reequipamento de Laboratórios Didáticos (Pró-Lab) da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade, contemplado no ano passado. Desde então, a sala que o Laboratório possui no prédio do CMU conta com computadores, aparelhos de som, móveis, e até um piano digital. Além disso, com a ajuda da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o PAM adquiriu HDs externos e livros.

Adriana acredita que, com toda essa estrutura, o PAM tem se tornado não só um espaço para a realização de pesquisas acadêmicas, como também um ponto de vivência entre os alunos. De acordo com a professora, "dentro do Departamento, os alunos e os professores valorizam o trabalho do PAM". O que o grupo busca agora é divulgar o projeto em outras universidades e ampliar o debate sobre o tema.

Em agosto de 2009, o PAM participou da organização do Primeiro Encontro Internacional de Análise Musical, em parceria com a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Com conferências proferidas por convidados internacionais e mesas-redondas, o evento permitiu um aprofundamento da discussão em relação à análise musical, o que, para Adriana, representa um grande avanço. "Esses encontros e o fortalecimento da área de análise musical junto a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música têm contribuído para sedimentar a prática da análise no Brasil". Esse ano, entre 29 de agosto e 3 de setembro, outro encontro internacional será realizado, também com a participação do PAM, na Unesp, o Segundo Encontro de Teoria e Análise Musical: Estrutura e Significado em Música, novamente através de parceria entre as três universidades públicas paulistas.

Apesar de todas essas conquistas, Adriana aponta lacunas que o Laboratório precisa suprir. Entre elas, a mais importante seria manter um maior diálogo com o público leigo, externo à Universidade, por meio de palestras, debates e cursos de extensão cultural. E para começar, a equipe pretende explorar mais o espaço que tem no site da ECA, com mais informações sobre o Laboratório e sobre a área.

De acordo com a professora Adriana, muitas vezes o tema é confundido com outras disciplinas como história, crítica ou estética musical. Como explica ela, a análise de uma obra musical é um estudo voltado à sua compreensão, tendo como ponto de partida a música em si e buscando inter-relacionar seus diversos elementos formativos. "A percepção musical é parte integrante do processo de análise, por constituir o ponto de contato entre o som musical e o intelecto do analista", esclarece.

Ainda segundo a professora, o desenvolvimento da percepção musical em músicos é o que faz com que eles reconheçam padrões musicais, moldem o movimento rítmico, melódico, harmônico, textural, tímbrico e sonoro através de diferenciações na intensidade e na temporalidade sonora. "Enfim, faz com que refinem sua prática musical, seja ela voltada ao ensino, à composição ou à interpretação". Realizar a diferenciação entre esse conceito e outras áreas da música é também um trabalho do PAM. (AUN)