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Gazeta de Limeira online

Estudo da FMJ comprova eficácia de chá popular

Publicado em 04 julho 2010

Das diversas espécies de árvores plantadas nas calçadas da cidade, uma chama a atenção pela folhagem e flores: a pata de vaca Bauhinia forficata . Mais do que beleza, esta espécie é considerada uma forte aliada no tratamento contra o diabete. Popularmente conhecida na forma de chá, a pata de vaca foi objeto de estudo de dois alunos da Faculdade de Medicina de Jundiaí -FMJ, Mônica Hayashida e Sérgio Curcio, que realizaram uma pesquisa em camundongos diabéticos. "São animais que apresentam características da doença semelhantes ao ser humano", explica Curcio.

Durante 12 meses, os alunos pesquisaram os efeitos do chá no organismo dos animais. "Estudamos o peso, o açúcar no sangue, os efeitos da doença na bochecha e nas glândulas salivares", destaca Mônica. "Isso porque é comum as pessoas que sofrem de diabete terem problemas relacionados com a saliva." Segundo os alunos, diferentes órgãos sofrem os efeitos do diabete, inclusive a mucosa oral e as glândulas salivares, sendo que o mau funcionamento destes órgãos pode afetar a saúde geral do organismo. "A pesquisa tentou observar se realmente esta planta pode ter efeitos benéficos na recuperação destes órgãos e nos níveis de açúcar no sangue, podendo no futuro contribuir para o entendimento e tratamento desta doença", ressalta o estudante. A espécie de camundongo desenvolve naturalmente a doença em determinada fase da vida. "Separamos dois grupos: um que recebeu o chá e outro não", enfatiza Curcio.

"Percebemos que o grupo que ingeriu a bebida melhorou consideravelmente a taxa de açúcar no sangue, mas os problemas relacionados aos órgãos, não". Com isso, os alunos concluíram que a planta pode ser um forte aliado no combate aos altos níveis de açúcar no corpo, mas isso não quer dizer que se pode interromper os outros tratamentos. Outro fator observado pelos estudiosos é em relação ao peso dos camundongos. "É muito comum uma pessoa diabética perder peso. Isso acontece porque o organismo da pessoa doente não consegue aproveitar todo o alimento ingerido, como o açúcar. No caso dos animais que tomaram o chá, eles ganharam peso", explica o professor Eduardo Caldeira, que orientou os alunos.

Além disso, foi observado que os camundongos tratados com a planta ingeriram menos água. "Um diabético costuma ter sede em excesso e os camundongos tratados não apresentaram isso, o que é um indicativo que o tratamento deu certo". Os resultados da pesquisa serão apresentados e publicados em dois dos maiores Congressos Brasileiros, a XXV Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental FeSBE que será realizada em Águas de Lindóia SP , em agosto, e também no XV Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, que será realizado entre os dias 24 a 27 de julho. Os projetos contam com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq .

Mais estudos

Os resultados, segundo os autores, são importantes, pois demonstram que o chá é capaz de reduzir o açúcar no sangue. "Porém, o chá não conseguiu controlar totalmente o diabete, possivelmente devido ao tempo de tratamento ou então porque o controle da glicose é um processo muito complexo e necessita de mais estudos", destaca Caldeira. "Além disso, os alunos estudaram as glândulas salivares e a mucosa oral dos animais, e o chá mostrou-se ineficaz na recuperação destes órgãos. Isso mostra que mesmo quando os níveis de açúcar no sangue estão reduzidos, o diabete já prejudicou e pode ainda continuar prejudicando os órgãos". E esse fator é primordial, uma vez que muita gente que costuma se automedicar ou tomar chás populares por conta própria acha que a doença está totalmente controlada por reduzir os níveis de açúcar no organismo. "Assim como ocorre com os medicamentos vendidos em farmácias, não é aconselhável a ingestão de plantas medicinais sem a recomendação ou avaliação médica", alerta Caldeira.