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Brasil Agora

Estudo da drástica redução da população de insetos aquáticos na bacia do Rio Paraná

Publicado em 04 julho 2021

Por brasilagora

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Pesquisa realizada há mais de 20 anos na bacia do Rio Paraná mostra uma drástica minimização do número de insetos aquáticos na região, bem preservados e longe dos efeitos negativos da agricultura e pecuária e centros urbanos.

As pinturas sistematizadas por Gustavo Romero, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), são publicadas no Periódico Cartas de Biologia da Sociedade Real sobre um fator especial sobre o declínio dos insetos.

“Nosso conhecimento contou com coleta sazonalmente ao longo de 20 anos. E notamos milhares a dezenas de americanos consistentes com o metro quadrado”, diz Romero à Agência FAPESP.

O declínio ultrarrápido das populações de insetos é um fenômeno global, diz o pesquisador; estudos têm relatado sobre o fenômeno, correlacionando-o com atividades humanas. Uma meta-análise publicada em 2020 na revista Science, por exemplo, indicou um mínimo no número de insetos terrestres, mas indicou um aumento na população de insetos aquáticos. Este artigo então desafiou, pois os autores basearam suas conclusões em uma amostra muito pequena, abrangendo apenas 7% dos ambientes aquáticos, localizados quase exclusivamente nos Estados Unidos e na Europa.

O levantamento coordenado por Romero abrangeu uma doleading de cerca de 40 quilômetros quadrados, em grande parte ocupada por lagos, rios, canais e marigotes. Segundo o pesquisador, a principal causa do declínio das populações de insetos na bacia do Paraná tem sido a estrutura de mais de 150 barragens nos afluentes que alimentam esse sistema, que drena grande parte da região centro-sul da América do Sul e abriga habitats de água doce.

Os estudos foram apoiados pela FAPESP por meio de duas bolsas concedidas a Romero (18/12225-0 e 19/08474-8), além de uma bolsa de pós-doutorado concedida a Pablo Antiqueira, que faz parte da equipe.

“O declínio acentuado observado afetou não só as espécies mais sensíveis, mas todas as encomendas e famílias de insetos aquáticos existentes na região. Esses animais vivem no ambiente aquático até a idade adulta, quando migram para o ambiente terrestre. Isso inclui libélulas e aquáticos. besouros, para chamar apenas os conhecidos”, explica Romero.

Como alguns insetos, como o Aedes aegypti, transmitem doenças como dengue, Zika e febre amarela, há um equívoco de que todos os insetos são destrutivos para os seres humanos, mas isso não é verdade. “Os insetos que são dizimados na bacia do Rio Paraná são incrivelmente úteis, por causa das instalações ecossistênicas que fornecem, como polinização, pragas biológicas da agricultura ou vetores de doenças, a decomposição da matéria biológica e o ciclo de nutrientes”, diz Romero.

Consequências das barragens

Segundo o pesquisador, as barragens causaram 3 tipos de impactos: primeiro, tornaram a água muito mais transparente, pois os detritos suspensos foram depositados na parte de trás dos tanques antes de passarem pelos ralos. das barragens estavam muito mais expostas à cepa predatória de peixes insetívoros.

O efeito do momento foi causado pela chegada de peixes exóticos aos reservatórios para anunciar a pesca esportiva, esses peixes, como o pavão, trazidos da bacia amazônica, são onívoros, ou seja, se alimentam de tudo, adicionando peixes e insetos locais.

O terceiro que teve efeito sobre o que foi detectado foi o desequilíbrio técnico dos nutrientes da água, que alterou os percentuais relativos de nitrogênio e fósforo. “À medida que as algas que se proliferam nos reservatórios fixam nitrogênio do ambiente e o movem para a água e parte do fósforo é depositado na parte de trás das barragens, a água que flui para os aterros se torna baixa em fósforo e proporcionalmente mais rica em nitrogênio. Como resultado, sua qualidade nutricional é afetada, afetando animais que têm uma quantidade equilibrada desses nutrientes. “Romero explica.

A bacia do Rio Paraná se estende por sete estados brasileiros. A classificação máxima tecnicamente para isso é “sub-bacia”. Porque, em combinação com as sub-bacias dos rios Paraguai e Uruguai, integra a maravilhosa bacia de Plata, uma das três principais bacias da América do Sul, as outras duas são as da Amazônia e são Francisco. As transformações dos ecossistemas na sub bacia do Paraná são, portanto, incrivelmente aplicáveis em escala continental. E a contagem de insetos aquáticos mostra o efeito sobre a ação humana na região, mesmo na ausência de inseticidas agrícolas e descargas de águas residuais na água.

Existem cerca de 5,5 milhões de espécies de insetos, dos quais 80% ainda não foram descritos pela ciência. Essa enorme população de animais, a maior do planeta, é reduzida através da ação humana, caracterizando o que alguns pesquisadores já chamam de “o apocalipse dos insetos”. “.

O artigo Declínio generalizado de insetos aquáticos subtropicais por 20 anos devido à transparência da água, peixes não nativos e desequilíbrio estéliométrico está disponível em: https://royalsocietypublishing. org/doi/10. 1098/rsbl. 2021. 0137. o estudo, escrito por um dos membros da equipe, pode ser lido na revista The Conversation: https://theconversation. com/insect-population-collapse-new-evidence-links-it-to-dams- 162626Array

Este texto foi originalmente publicado através da Agência FAPESP sob a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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