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Estudo conclui que homem já processava alimentos há 100 mil anos

Publicado em 05 janeiro 2010

Estudo conclui que homem já processava alimentos há 100 mil anos: Em artigo na Science, pesquisador canadense relata descoberta feita em caverna no Moçambique que indica que o homem processava grãos muito antes do que se estimava

Há mais de 100 mil anos o homem já processava grãos e consumia cereais. A conclusão é de um estudo publicado na edição do dia 18 de dezembro da revista Science, de autoria do pesquisador canadense Julio Mercader. O pesquisador, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Calgary, descobriu resíduos de sorgo em ferramentas feitas de pedra em uma caverna em Moçambique. O achado indica a utilização de grãos em um momento em que se achava que os humanos baseavam a agricultura em itens mais facilmente cultiváveis, como frutas. Trata-se da mais antiga utilização extensiva de cereais na dieta de que se tem notícia.

Dezenas de ferramentas de pedra foram encontradas em uma caverna profunda e apontam que o sorgo selvagem, antecessor do principal grão consumido atualmente na África subsaariana em farinhas, pães e bebidas alcoólicas, fazia parte da dispensa dos primeiros Homo sapiens. O estudo apresenta a primeira evidência direta do uso de cereais pré-domesticados no mundo.

"Os resultados expandem a linha do tempo para o uso de sementes de gramíneas pela nossa espécie e são prova de uma dieta ampla e sofisticada em um momento muito anterior ao que se estimava. Isso ocorreu durante o Paleolítico Médio, em um momento no qual a coleta de grãos selvagens era vista convencionalmente como uma atividade irrelevante e não tão importante como a coleta de raízes ou frutos", disse Mercader.

Em 2007, o pesquisador canadense e colegas da Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, escavaram uma caverna sedimentária próxima ao lago Niassa, que foi usada por indivíduos que coletavam alimentos durante mais de 60 mil anos.

No fundo da caverna os cientistas descobriram as ferramentas feitas de pedra, ao lado de ossos de animais e de resíduos de vegetais, indicando práticas dietéticas pré-históricas. Em seguida, descobriram dezenas de milhares de grãos de amido, indicando que o sorgo selvagem era trazido e processado sistematicamente no local.

"Há hipóteses de que o uso de amido representa um passo fundamental na evolução humana ao melhorar a qualidade da dieta nas savanas e matas africanas, onde as primeiras linhagens humanas evoluíram. Essa nossa descoberta pode ser considerada um dos primeiros exemplos dessa transformação na dieta humana", concluiu Mercader.

O artigo Mozambican grass seed consumption during the middle stone age, de Julio Mercader, pode ser lido aqui por assinantes da Science.

Agência Fapesp