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Terra da Gente

Estudo começa a recuperar acervo com sons dos animais

Publicado em 31 janeiro 2013

Um dos maiores acervos de sons emitidos pelos animais, no mundo, como o canto dos pássaros, o coachar dos sapos ou o cricrilar dos insetos, pertence à Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard, do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Em muitas das vocalizações dessa coleção, iniciada na década de 1960 pelo ornitólogo francês Jacques Vielliard, no entanto, os sons não estão acompanhados de informações essenciais para os biólogos interessados em estudar o comportamento animal. Entenda-se por isso a temperatura e o índice pluviométrico no momento em que o som foi captado.

A escassez de recursos tecnológicos da época dificultava o registro desses fatores climáticos que influenciam o comportamento animal no momento da captura dos sons. As vocalizações dos animais podem variar, por exemplo, com a temperatura, a estação do ano e a ausência ou a presença de chuva.

Um estudo, realizado no Instituto de Computação (IC) da Unicamp, com apoio de Bolsa da Fapesp, pretende enriquecer as informações sobre as vocalizações reunidas na fonoteca, com dados climáticos e ambientais do dia, hora e local em que elas foram registradas.

"Percebemos que, pelo fato de muitos registros da fonoteca serem antigos, diversas informações importantes sobre eles estavam faltando", diz Daniel Cintra Cugler, autor do estudo. Os resultados poderão ajudar biólogos a fazer análises mais precisas do comportamento de animais com base nos sons e a estabelecer estratégias de conservação de espécies em risco de extinção.

Na internet

No fim de 2011 foi colocado no ar um site com mais de 11 mil vocalizações do acervo já digitalizadas, com o objetivo de compartilhá-las e disponibilizá-las para a comunidade científica da área e interessados nesse "gênero musical". O site já foi acessado por usuários de mais de 60 países.

"Os registros de vocalizações disponibilizadas no site ainda não possuem as informações climáticas que estamos recuperando. Em breve pretendemos atualizar a base de dados com novas informações", afirmou Cugler.

Atualmente, o website permite o acesso às vocalizações para pesquisadores autorizados e o acesso público às informações gerais relacionadas a elas, como o nome da espécie e o local, dia e horário em que o som foi capturado ou as condições de gravação.

Além de gravações de sons de animais mais comuns, como pardal e sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), o acervo possui vocalizações mais raras, que poucas pessoas conseguiram gravar na natureza, como as de uma onça-parda (Puma concolor).

Terra da Gente, com info Fapesp