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Estudo brasileiro testa nova abordagem para a reabilitação do AVC (13 notícias)

Publicado em 08 de janeiro de 2026

Pesquisa combina estimulação cerebral não invasiva e fisioterapia para melhorar a recuperação de pacientes que passam por um AVC

Pesquisadores brasileiros testam uma nova forma de reabilitação de pacientes após acidente vascular cerebral (AVC), uma das principais causas de incapacidade no mundo.

O estudo, chamado Titan Trial, combina técnicas de neuromodulação cerebral não invasiva com fisioterapia focada em tarefas, com o objetivo de melhorar a recuperação funcional e reduzir sequelas que afetam diretamente o dia a dia dos pacientes.

O foco da pesquisa é a negligência espacial unilateral, uma condição comum após o AVC, especialmente quando a lesão ocorre no hemisfério direito do cérebro.

Nesse quadro, a pessoa passa a ignorar tudo o que está de um lado do espaço, geralmente o esquerdo — inclusive o próprio corpo. O paciente pode, por exemplo, comer apenas metade do prato, esbarrar em objetos ou esquecer de vestir um lado do corpo, mesmo sem ter perda de força ou de visão.

Segundo os pesquisadores, essa sequela compromete a autonomia e dificulta muito a reabilitação, mesmo quando outras funções motoras já foram recuperadas.

Nova abordagem no tratamento do AVC

O Titan Trial propõe uma combinação de duas técnicas de estimulação cerebral com sessões de fisioterapia. A primeira é a estimulação elétrica transcraniana por corrente contínua (ETCC), aplicada no hemisfério cerebral lesionado para estimular a atividade neural e favorecer a plasticidade do cérebro — ou seja, sua capacidade de se reorganizar após a lesão.

A segunda técnica é a estimulação magnética transcraniana do tipo theta burst, aplicada no hemisfério oposto ao lesionado. O objetivo é reduzir a hiperatividade desse lado do cérebro, que costuma ocorrer após o AVC e acaba atrapalhando a recuperação do hemisfério afetado.

Essas duas formas de neuromodulação são usadas junto com fisioterapia baseada em tarefas específicas, que estimula o paciente a usar ativamente as funções que precisam ser recuperadas.

De acordo com o neurologista Rodrigo Bazan, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-Unesp) e coordenador do estudo, a proposta se apoia em resultados anteriores do grupo.

“Naquele estudo, que chamamos de Eletron Trial, mostramos que a estimulação elétrica anódica aplicada na região parietal direita favorece a plasticidade cerebral e reduz a negligência espacial”, disse Bazan á Agência FAPESP.

Foto colorida de de duas mulheres fazendo movimentos que simulam fisioterapia em frente a uma janela - Metrópoles.