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Estudo brasileiro comprova que Zika causa microcefalia

Publicado em 12 maio 2016

Há muito tempo os especialistas acreditam haver uma relação entre o Zika vírus e os casos de microcefalia que têm surgido no Brasil, mas com a falta de estudos, a comunidade científica prefere não afirmar categoricamente que o vírus é o causador dos problemas neurológicos nos fetos.

No entanto, um estudo feito pela Universidade de São Paulo e publicado na revista Nature nesta quarta-feira mostrou a capacidade do vírus de causar danos no sistema nervoso. Para tanto, pesquisadores usaram camundongos: algumas fêmeas foram infectadas entre o 10º e o 12º dia de gestação com a linhagem viral isolada de um bebê nascido com microcefalia na Paraíba, em 2015.

Imediatamente após o parto, foi possível notar uma redução no crescimento global dos filhotes expostos ao Zika vírus. Enquanto o peso médio ao nascer das crias de fêmeas controle (não infectadas) era 3,4 gramas, a média dos filhotes infectados era 1,4 grama. Medidas do crânio - comprimento e altura - apresentaram diminuição de pelo menos um terço no grupo exposto ao vírus.

Depois os cientistas realizaram análises do tecido cerebral dos camundongos e perceberam diversas alterações, além da redução da camada cortical. Os dados ainda mostraram que a linhagem brasileira do vírus é mais agressiva, o que corrobora a teoria de que, nos últimos anos, o Zika vírus teria sofrido mutações que o tornaram mais eficiente para infectar humanos.

Estudo semelhante

Cientistas norte-americanos já haviam chegado à mesma conclusão em estudo publicado em abril deste ano, feito com base na revisão de diversos trabalhos científicos publicados sobre o tema. Embora não traga novos dados para o caso, o estudo publicado no periódico especializado New England Journal of Medicine é o primeiro a concluir e afirmar categoricamente a relação de causa entre Zika vírus e a microcefalia.

"O estudo marca um ponto de virada na epidemia do Zika. Está claro agora que o vírus causa microcefalia", disse o diretor do CDC, Tom Frieden, em comunicado emitido pelo órgão. Ele ainda afirma que estão lançando novos estudos para determinar outros efeitos no cérebro e problemas de desenvolvimento que a infecção possa causar.

Com informações da Agência Brasil e Agência Fapesp