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Estudo bioquímico de pinheiro brasileiro é premiado nos EUA

Publicado em 03 agosto 2010

Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br

A Araucaria angustifolia, mais conhecida como pinheiro brasileiro, vem sendo objeto de estudos bioquímicos e fisiológicos para melhor compreensão de suas funções biotecnológicas e ecofisiológicas. Nos laboratórios de Química de Produtos Naturais, do Instituto de Química (LQPN-IQ), e de Biologia Celular (Biocel), do Instituto de Biociências (IB), ambos da USP, cientistas estão desvendando os mecanismos bioquímicos e fisiológicos que levam à produção de biflavonóides que possuem atividades fotoprotetoras e antioxidante. Os estudos resultaram numa pesquisa que acaba de ser premiada no "2010 Joint Annual Meeting of the American Society of Pharmacology & Phytochemical of North America", encontro realizado na Flórida, EUA, entre os dias 10 e 14 de julho deste ano.

Araucaria angustifolia: vem sendo objeto de estudos bioquímicos e fisiológicos De acordo com André L. W. Santos, que integra o programa de pós-doutorado no Biocel, a Araucaria augustifolia está a um passo de entrar na categoria das plantas em extinção. "É importante conhecermos os mecanismos bioquímicos e fisiológicos da planta. Primeiro, para gerar conhecimento básico e, mais tarde, se ter controle sobre alguns pontos específicos que possam ajudar na preservação da espécie", ressalta.

No projeto de doutorado de Lydia F. Yamaguchi, no Departamento de Bioquímica do IQ-USP, foi demonstrada a atividade antioxidante e fotoprotetora dos biflavonóides extraídos desta espécie. Com o intuito de decifrar como estes compostos são formados na planta, Lydia iniciou suas pesquisas de pós-doutoramento no LQPN em colaboração com o Biocel. "Considerando-se que esta espécie evoluiu aproximadamente há 200 milhões de anos, numa época com intensa radiação UV, essa atividade biológica suscita interesses tanto para funções ecofisiológicas como para utilização em algum produto cosmético ou farmacêutico", destaca Lydia.

Durante o projeto de pós-doutoramento vinculado ao projeto Biota-Fapesp "Conservation and sustainable use of the diversity from cerrado and atlantic forest: chemical diversity and prospecting for potential drugs" coordenado pela professora Vanderlan da Silva Bolzani, do Instituto de Química da Unesp, Lydia estudou a biossíntese destes compostos em folhas da Araucaria. Porém, diante das dificuldades encontradas, a colaboração com o grupo Biocel, reconhecido pelos seus estudos em fisiologia e bioquímica em Araucaria, foi de extrema importância para a compreensão da formação destes compostos em células embrionárias. A colaboração resultou no trabalho Biflavonoids biosynthesis in leavs and cell cultures of Araucaria angustifolia, premiado nos EUA.

Situação de risco A Araucaria angustifolia é nativa do Brasil e possui uma ampla área de distribuição. Mesmo assim, segundo dados do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, a exploração indiscriminada colocou-a na lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção (Brasil, 1992). Ainda segundo o IPEF, dos 20 milhões de hectares originalmente cobertos pela Floresta de Araucária, restam, atualmente, cerca de 2% dessa área.

Participam das pesquisas o professor Massuo J. Kato, coordenador do Laboratório de Produtos Naturais do IQ, a professora Eny I. S. Floh, que é coordenadora do Biocel e coordenadora do projeto Biota-Fapesp "Estudos de embriogenese como subsídios para estratégias e conservação em espécies arbóreas", e a professora Vanderlan S. Bolzani. O trabalho premiado é assinado por Lydia F. Yamaguchi, pós doutoranda do IQ, André L. W. dos Santos, pós-doutorando do Biocel e Ana Lúcia Peluzzo, bolsista de iniciação científica do Biocel, e pelos professores Eny I.S. Floh e Massuo J. Kato.

Segundo a pesquisadora, ainda restam estudos que irão explorar o sequenciamento de proteínas e enzimas relacionadas a biosíntese de biflavonóides em Araucaria, que poderão ser concluídos até o final de 2011.

Mais informações: lydyama@yahoo.com.br