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Jornal da Tarde

Estudo avalia metais no organismo

Publicado em 16 dezembro 2007

Os metais, aqueles mesmos que fazem parte da tabela periódica, entram naturalmente no nosso corpo, por processos que vão desde a alimentação até a poluição. É esperado que existam determinadas quantidades deles no organismo e, até certo ponto, em nada incomodam nossa saúde. No entanto, não existe uma avaliação brasileira que determine a quantidade média que há, de cada metal, dentro do corpo do paulistano. Os índices utilizados por aqui vêm dos Estados Unidos e da Dinamarca. Estes países chegam a medir o nível de metais no corpo de seus habitantes de cinco em cinco anos.

A Secretaria de Estado da Saúde iniciou, na semana passada, um estudo inédito que visa identificar os níveis de metal no paulistano. Quando o projeto chegar ao fim — a equipe espera finalizá-lo em oito meses—, irá trazer padrões de referências para a capital.

"Estes padrões serão comparados com valores que encontrarmos quando houver algum caso de intoxicação", diz o toxicologista Eduardo Meio de Capitani, do Centro de Controle de Intoxicações da Unicamp, parceira na pesquisa ao lado do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), do Instituto Adolfo Lutz (IAL) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O médico se refere a casos como o da contaminação no Aterro Bandeirantes, em Perus, ocorrido em agosto deste ano. Neste caso, a concessionária que administrava o aterro sanitário, a Loga, descobriu, a partir de 2004, a presença de chumbo, um metal pesado, nos pontos de monitoramento da água subterrânea. O chumbo tem efeito cumulativo, ou seja, permanece no organismo até ser eliminado com dificuldade. Enquanto está no corpo humano, afeta o sistema nervoso, os rins e o aparelho gastrointestinal. Os sintomas da intoxicação vão da tontura às diarréias. Em crianças, o chumbo pode ser responsável por retardo físico e mental, perda da concentração e diminuição da capacidade congnitiva.

23 substâncias Investigadas

Na investigação, técnicos analisam a urina e o sangue de 1.000 pessoas de 7 a 65 anos que não trabalhem com estes metais diretamente. E, através dos testes, é possível determinar os níveis de 23 substâncias químicas no corpo de uma pessoa, incluindo chumbo, mercúrio, arsênio, alumínio, paládio, ródio e platina (os três últimos emitidos por catalisadores de carro).

"E natural que tenhamos algum destes metais no corpo em níveis baixos, aceitáveis. Agora, queremos ver se eles estão semelhantes aos de outros países", explica a médica sanitarista do CVE, Clarice Umbelino de Freitas. A médica acredita que, no futuro, este estudo deva ser feito em populações que morem em áreas de alta concentração de indústrias.

Segundo Clarice, conhecer o nível de substância química no organismo é uma necessidade mundial. O mercúrio, por exemplo, que antes era usado na fabricação de termômetros de uso doméstico, é tóxico e pode ser absorvido pela pele. "Até pouco tempo, as crianças brincavam com o mercúrio que saía de termômetros quebrados, o que é um perigo", diz Clarice.

Além de elaborar um índice de referência, o estudo também irá investigar efeitos dos metais no corpo humano e orientará as pessoas que estiverem com níveis excessivos de determinadas substâncias no organismo.