Notícia

Jornal da Unicamp

Estudo avalia impacto do amianto

Publicado em 01 setembro 1997

Conhecido desde a Antigüidade, o amianto ou asbesto - uma fibra mineral encontrada naturalmente na crosta terrestre - vem sendo largamente utilizado pelos homens em cerca de três mil diferentes aplicações. Excelente isolante térmico e acústico, altamente resistente ao calor e praticamente indestrutível, o asbesto fascina a humanidade. O conquistador Carlos Magno, por exemplo, assombrava seus convidados ao atirar ao fogo sua toalha de mesa confeccionada com asbesto para, em seguida, retirá-la intacta. Porém a exploração comercial do amianto, iniciada em 1878 na região de Quebec, no Canadá, tornou-se motivo de preocupação mundial para os profissionais ligados à área de saúde ocupacional quando diversos estudos comprovaram a ação nociva dessas fibras sobre o aparelho respiratório humano. Entre os males atribuídos à exposição ao asbesto estão alterações pleurais benignas, fibroses pulmonares, câncer de pulmão, pleura e peritônio. No Brasil, a exploração comercial do amianto concentra-se em Minaçu, um pequeno município ao norte do estado de Goiás onde está localizada a maior mina de asbesto do país, com prospecção de exploração economicamente viável por, pelo menos, 150 anos. Do material extraído de Minaçu. 80% é usado na fabricação de telhas e caixas d'água. Trabalhando na mineração da fibra, entre 1940 e 19%, mais de 10 mil brasileiros estiveram expostos ao asbesto sem que qualquer estudo com metodologia de investigação adequada tenha sido realizado sobre as conseqüências dessa exposição. A falta de dados sobre o assunto, no entanto, seguramente vai deixar de ser um problema para o Brasil. Dentro de dois anos, a Área de Saúde Ocupacional do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp entregará às autoridades públicas brasileiras um estudo detalhado sobre a situação dos 10.263 trabalhadores que passaram pela mineradora de Minaçu nesses 56 anos de exploração do asbesto. Equipe interinstitucional - Além de obter apoio e um financiamento no valor de R$ 823.625,36 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto Morbidade e mortalidade entre trabalhadores expostos ao asbesto na atividade de mineração (1940-1996), elaborado pela Área de Saúde Ocupacional, contara com a colaboração de profissionais da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-EPM), da Fundação Jorge Duprat (Fundacentro) e do Institute for Occupational Safety and Health (Niosh), utn centro de pesquisa norte-americano. "Fazer um estudo abrangente como esse, submeter o projeto à aprovação de especialistas e obter o financiamento para a pesquisa foram desafios que a equipe da Área de Saúde Ocupacional decidiu enfrentar. Acreditamos que o cuidado com a saúde coletiva seja a melhor forma de se prevenir doenças, inclusive, individuais", defende o médico Ericson Bagatin, coordenador do estudo. De acordo com Bagatin, a pesquisa fornecerá importantes subsídios para que as autoridades brasileiras tomem conhecimento da extensão do problema e, com base em dados confiáveis, possam decidir entre suspender a exploração para preservar a saúde do trabalhador ou iniciar um trabalho preventivo que assegure a atividade e elimine os riscos ocupacionais. (M.T.S.)