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Estudo avalia adição de zinco e cobre via sementes do milho

Publicado em 06 janeiro 2014

Por Raiza Tronquin

Com o posto de quarto maior consumidor de milho no mundo, o Brasil é também o terceiro maior produtor do cereal, segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), tendo grande parte de sua safra produzida nos Estados do Mato Grosso e Paraná. No entanto, mesmo com o alto número de regiões exploradas por essa cultura, o País ainda possui solos carentes em zinco (Zn) e cobre (Cu). As áreas com insuficiência destes nutrientes são frequentes em grande parte das regiões agrícolas, o que acaba restringindo a produtividade das culturas.

Um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), mostrou que o fornecimento destes elementos via sementes pode ser uma alternativa viável e eficaz para produtores que lidam com essa deficiência do solo. No Laboratório de Análise de Sementes (LAS), o engenheiro agrônomo Marcos Altomani Neves Dias avaliou diferentes tratamentos de sementes de milho contendo zinco e cobre, considerando aspectos relacionados à qualidade fisiológica das sementes e à sua eficiência nutricional.

O pesquisador utilizou quatro lotes, apresentando diferenças quanto ao tamanho e vigor das sementes. Os tratamentos foram compostos por diferentes dosagens e combinações de suspensões líquidas, contendo óxido de zinco e carbonato de cobre, fornecidos juntos ou separadamente. “Os lotes foram tratados e avaliados ao longo de um ano (0, 30, 60, 180 e 360 dias)”, informa Dias.

A princípio, o desenvolvimento das plantas foi avaliado pela altura, área foliar e pela massa seca de raiz e da parte aérea. De acordo com o autor do estudo, os dados de massa seca, associados aos teores de zinco e cobre nos tecidos, permitiram calcular as eficiências de absorção transporte e utilização destes micronutrientes pelas plantas. “A qualidade fisiológica das sementes de milho tratadas com zinco e cobre, isoladamente ou associados, não é afetada ao longo de doze meses de armazenamento. Por outro lado, o cobre utilizado isoladamente causa fitotoxicidade quando a avaliação é realizada tendo o papel como substrato, afetando principalmente o desenvolvimento radicular das plântulas. Isto leva a refletir sobre quais métodos seriam mais apropriados para a análise de sementes tratadas com micronutrientes”.

Dias reforça que o tratamento das sementes com zinco e cobre não impede a utilização de outros tratamentos convencionalmente aplicados nas sementes de milho. “Um bom desenvolvimento inicial da cultura é crucial, pois com o decorrer do ciclo há maior stress causado por falta de água e temperaturas baixas”, conclui.

O trabalho, orientado pelo professor Silvio Moure Cicero, do Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Esalq, recebeu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq)