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Estudo associa alta temperatura e clima seco a menor tempo de vida de árvores tropicais

Publicado em 29 dezembro 2020

Clima seco e temperatura elevada são dois motivos para árvores de florestas tropicais, como Amazônia e Mata Atlântica, viverem menos tempo. É o que indica um estudo liderado por pesquisadores brasileiros e publicado em 14 de dezembro deste ano na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), da Academia Norte-Americana de Ciências.

A conclusão é que a alta temperatura nos trópicos, aliada ao clima seco, faz com que as árvores cresçam mais rápido, mas consequentemente morram antes do tempo convencional. O estudo lembra que florestas tropicais úmidas abrigam cerca de 50% das espécies de animais terrestres e plantas do planeta Terra, apesar de representarem apenas 7% da área terrestre mundial.

Fatores também devem afetar o papel que essas árvores desempenham nos estoques de carbono (CO2), levantando preocupações em relação à capacidade de absorção desse gás de efeito estufa no futuro (Foto: Greenpeace Brasil)

O estudo aborda que, “nas planícies tropicais quentes foram encontradas diminuições consistentes na longevidade das árvores em locais secos e com temperaturas médias anuais acima de 25,4°C”.

“Observamos no estudo que, quando a temperatura média passa dos 25,4°C, a taxa de crescimento está num pico, em patamar alto, e a longevidade diminui. É um efeito além do esperado pela relação negativa entre crescimento e longevidade das árvores. Mas também está ligado à disponibilidade hídrica. Quando o local seca, cria um estresse na planta. Então ela atinge tamanhos menores e morre mais jovem, mesmo sendo uma espécie que poderia ficar maior”, disse à Agência FAPESP Giuliano Locosselli, um dos autores do estudo.