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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Estudo aponta viabilidade de parque tecnológico em Bauru

Publicado em 11 fevereiro 2016

Por Tisa Moraes

Uma pesquisa elaborada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru demonstrou a viabilidade de implantação de um parque tecnológico na cidade, um desejo e uma intenção já debatidos no passado pelo poder público.

Segundo o estudo, elaborado pela mestranda de design Ekaterina Emmanuil Inglesis Barcellos sob orientação do professor Galdenoro Botura Junior, o parque deveria aproveitar a vocação de Bauru para a economia criativa, voltada à produção e distribuição de bens e serviços que utilizam a criatividade e as habilidades dos indivíduos como fonte de trabalho e renda. Trata-se de um mercado que gerou, segundo dados da Unesco, US$ 624 bilhões ao redor do mundo, no ano de 2011.

O trabalho, que teve financiamento da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), será apresentado à banca examinadora na próxima segunda-feira, na Unesp. O professor orientador explica que ele e a aluna visitaram diversos parques tecnológicos no País e que, após estas visitas e a aplicação de questionários a gestores e técnicos destes espaços, chegou-se à conclusão sobre a viabilidade de implantação do parque em Bauru.

Pela proposta descrita na pesquisa, o empreendimento deveria explorar o “DNA criativo” da cidade, com um parque dedicado às áreas de design, comunicação, artes, engenharia, sistemas, tecnologia da informação e inovação. Também teria de estar sedimentado na integração e financiamento da iniciativa privada, centros científicos e poder público, com participação, ainda, da sociedade civil organizada.

Condições favoráveis

Uma possibilidade seria a própria Unesp, que possui cursos nestas áreas de conhecimento, abraçar a ideia. “O estudo mostrou que os parques que trabalham de forma integrada com universidades têm mais chances de alcançar melhores resultados. Há muitos casos bem-sucedidos, como Avaré, Botucatu e Sorocaba, demonstram que esta parceria é plenamente viável”, analisa Botura Junior.

O estudo elaborado por Ekaterina com a supervisão dele lembra que Bauru é polo universitário, contemplado por 11 instituições de ensino superior, além de centros técnicos, que sinalizam a possibilidade desta integração. O trabalho aponta, ainda, a conjunção de fatores essenciais que a região conta para a implantação de um parque tecnológico, como concentração de indústrias inovadoras, ambiente comercial e de serviços intenso, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado e estrutura local propícia, bem como logística e geografia favoráveis.

Rodrigo Agostinho defende uma incubadora como ponto de partida

Procurado pela reportagem, o prefeito Rodrigo Agostinho disse estar aberto ao diálogo com a Unesp de Bauru, mas demonstrou ser favorável à instalação, ao menos em um primeiro momento, de uma incubadora que integrasse a parceria entre universidade, empresas e administração municipal. “Seria uma forma de incentivar o estudante ou o profissional recém-formado a começar a produzir. Mas as responsabilidades e atribuições de cada ente precisariam ser muito bem definidas”, pontua.

Ele lembra que o município já tentou, no passado, viabilizar a instalação de um parque tecnológico na cidade, mas as iniciativas não foram bem-sucedidas devido à falta de área apropriada, que, pelas regras, deveria ter ao menos 200 mil metros quadrados. A pesquisa realizada por Ekaterina Barcellos, contudo, cita a possibilidade de utilização de área da própria Unesp.

“O município também poderia disponibilizar uma área para a incubadora. Tudo pode ser discutido e estou disponível para conversar. A economia criativa tem, há muito tempo, uma grande importância para Bauru e poder desenvolver ainda mais este setor é do nosso interesse”, observa Rodrigo, salientando que a instituição de um parque tecnológico poderia esbarrar na dificuldade de concretizar esta proposta de parceria entre universidade, poder público e iniciativa privada.

“A universidade pública é sempre muito resistente neste sentido. E, mesmo quando a disposição existe, a burocracia interna é muito grande quando uma empresa se instala dentro de uma área pública. Há dificuldade para determinar a responsabilidade, financeira, inclusive, de cada um dentro desta parceria”, pondera.