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Estudo aponta que pediatras demoram a encaminhar crianças ao fonoaudiólogo

Publicado em 01 outubro 2009

Um estudo feito na Faculdade de Odontologia de Bauru da USP (Universidade de São Paulo) aponta que grande parte dos pediatras não encaminha a fonoaudiólogos crianças com problemas no desenvolvimento da fala no período adequado.

O trabalho, publicado na "Revista Cefac - Atualização Científica em Fonoaudiologia e Educação", investigou conhecimentos e atitudes práticas de pediatras em relação à comunicação oral de crianças. De acordo com Luciana Paula Maximino, uma das autoras do trabalho, a ideia surgiu a partir da experiência na prática clínica.

"Comecei a deparar com muitos relatos de pais sobre o problema dos filhos em relação ao desenvolvimento da linguagem. A maior preocupação é que isso ocorria tardiamente, depois dos três anos de idade das crianças, o que torna a terapia mais longa e custosa", disse Luciana, professora do Departamento de Fonoaudiologia, à "Agência Fapesp".

"Até os três anos, a criança tende a falar 50% de todos os sons da língua portuguesa. É possível entender metade de tudo do que ela fala. Mas esse diagnóstico deveria ser feito antes. O período de um ano, para a criança, em termos de desenvolvimento da fala, é muito tempo", alertou Luciana.

Segundo a fonoaudióloga, por volta de um ano ou um ano e meio, se a criança não começar a produzir nenhum tipo de palavra ou som, os pais podem começar a suspeitar da existência de problemas.

Foram entrevistados 79 pediatras de São Paulo e Minas Gerais que responderam a um questionário com informações específicas sobre conhecimento das etapas do desenvolvimento da comunicação infantil, conduta diante de queixas de alterações da comunicação, encaminhamentos profissionais e método utilizado como avaliação.

O estudo apontou que 93,67% dos entrevistados mostraram "preocupação" com a idade que a criança deve falar corretamente nas consultas de rotinas, mas relataram que geralmente são os pais que questionam sobre o desenvolvimento da comunicação oral dos filhos.

A procura pelo médico se dá por iniciativa dos próprios pais ou por indicação da escola. "Atraso na aquisição da linguagem e distúrbios fonológicos - como troca de fonemas que impossibilitem a comunicação - são os problemas mais comuns e mais simples", explicou a fonoaudióloga.

Quando a criança apresenta distúrbios mais sérios, os casos são detectados mais rapidamente. Mas, segundo a pesquisadora, os exemplos tidos como simples não podem ser negligenciados.

Os pediatras, segundo o estudo, tendem a encaminhar pacientes para outra avaliação médica especializada, como otorrinolaringologista (45,56%) e neurologista (30,38%), mas apenas 15,19% dos entrevistados relataram encaminhar o paciente diretamente para o fonoaudiólogo.

Quanto aos procedimentos que utilizam durante a consulta de rotina para avaliar o desempenho da comunicação da criança, os pediatras relataram que esses procedimentos dependem da "queixa da família" (37,97%).

O estudo aponta ainda que os pediatras que trabalham ou trabalharam com um fonoaudiólogo, em sua maioria (64%), demonstram maior conhecimento da área.

"O médico pediatra que trabalha com o fonoaudiólogo acaba tendo um desempenho diferente. E nos questionários víamos muito essa diferença em relação àqueles que não tinham esse contato", disse Luciana.

*Com informações da Agência Fapesp