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Estudo aponta pior seca dos últimos sete séculos no Cerrado brasileiro (61 notícias)

Publicado em 27 de junho de 2024

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Nature Communications indica que a seca no Cerrado brasileiro é sem precedentes, pelo menos nos últimos 700 anos.

De acordo com os pesquisadores, o aquecimento global na região central do país tem sido mais intenso, com aumento das temperaturas cerca de 1 °C acima da média global. Essa condição resulta em um distúrbio hidrológico, em que a água da chuva evapora antes de se infiltrar no solo devido à temperatura elevada próximo ao solo. Esse fenômeno tem impactos significativos, como mudanças no padrão de chuva, com eventos mais intensos e menos recarga nos aquíferos, afetando o nível dos rios tributários do rio São Francisco.

O estudo, apoiado pela FAPESP e pela National Science Foundation dos Estados Unidos, utilizou dados de temperatura, vazão e precipitação da Estação Meteorológica de Januária, correlacionados com variações na composição química de estalagmites de uma caverna no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Essa análise permitiu reconstruir o clima dos últimos sete séculos, demonstrando a relação da seca com o distúrbio do ciclo hidrológico causado pelo aquecimento global.

A pesquisa também inovou ao analisar a química das formações rochosas da Caverna da Onça, evidenciando como a seca afeta essas estruturas. Além disso, o estudo integra um projeto mais amplo de reconstituição da variabilidade climática por meio de registros geológicos, como espeleotemas e anéis de crescimento de árvores.

Os resultados desse trabalho proporcionam uma compreensão mais precisa dos efeitos do aquecimento global nos trópicos, utilizando metodologias inovadoras e amostras geológicas caracterizadas. O artigo completo pode ser acessado em: https://www.nature.com/articles/s41467-024-45469-8.

Informações da Agência FAPESP