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Secretaria de Ensino Superior (SP)

Estudo analisa plantações infectadas por praga nos laranjais paulistas

Publicado em 09 setembro 2008

Por Thiago Romero

Agência FAPESP

Trabalho foi premiado no Best Student Poster Competition em uma das duas categorias

Um trabalho de autoria de Sérgio Ademir Calzavara, pesquisador da Universidade Estadual Paulista (UNESP), que analisa laranjais infectados por nematóides (Pratylenchus jaehni), importante praga dos laranjais paulistas, foi considerado o melhor entre os apresentados no 5º Congresso Internacional de Nematologia, realizado em julho, na Austrália.

O trabalho, um resumo da tese de doutorado defendida recentemente na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da UNESP, em Jaboticabal, foi premiado no Best Student Poster Competition em uma das duas categorias, a Nematode Management, pela comissão organizadora do congresso realizado a cada cinco anos em um país diferente.

"Nematóides são organismos aquáticos que vivem nos mais diferentes hábitats e podem afetar todas as partes da planta, parasitando, principalmente, órgãos subterrâneos como raízes, rizomas, tubérculos e bulbos, além da parte aérea, como caules, folhas, flores e sementes", disse Calzavara à Agência FAPESP.

Os danos causados nas plantas são conseqüências do parasitismo. "Os nematóides perfuram a parede celular, penetram no hospedeiro e se movimentam nos tecidos. Alimentando-se das células, eles desviam os elementos destinados à nutrição da planta", explicou. Um dos objetivos da pesquisa, cujos resultados poderão auxiliar no combate aos danos causados pelo microrganismo, foi identificar porta-enxertos de citros que sejam resistentes aos nematóides, uma importante alternativa para os produtores no manejo da praga.

O estudo aponta formas de reduzir o nível de infestação de um pomar pela praga com a substituição do tronco das plantas doentes por meio de enxerto, procedimento que consiste em inserir uma muda cítrica de outros frutos em mudas infestadas, de modo a reduzir o número de nematóides no solo e evitar seu alastramento.

Foram testados seis porta-enxertos fornecidos pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) para a verificação da resistência aos nematóides, que foram inoculados pelo pesquisador em todos os porta-enxertos analisados. O estudo teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa, com coordenação do professor Jaime Maia dos Santos, do Departamento de Fitossanidade da FCAV.

"A conclusão é que cinco porta-enxertos testados se mostraram resistentes aos nematóides e podem ser utilizados para a formação de pomares em áreas com o microrganismo. Na fruticultura, o uso de porta-enxertos é uma prática usada há muitos anos", disse Calzavara.

"O trabalho é de grande importância para os citricultores, pois cerca de 80% dos pomares paulistas utilizam o porta enxerto de limoeiro cravo, que, no estudo, foi o único que se mostrou suscetível ao nematóide. Identificamos também que os outros cinco porta-enxertos analisados podem ser utilizados na substituição do porta-enxerto de limoeiro cravo", explica.

Sintomas da infecção

Segundo Calzavara, a pesquisa, realizada em laranjais de uma fazenda do município de Itápolis, no interior paulista, também apresenta os principais sintomas de plantas infectadas por nematóides.

"As folhas de plantas infectadas são menores e, geralmente, não exibem o brilho natural que se observa nas folhas de plantas sadias. Os frutos também são menores, acarretando queda da produtividade. Em condição de déficit hídrico acentuado, ocorre ainda a queda prematura das folhas de plantas atacadas pela praga. Para o Pratylenchus jaehni essas informações ainda não eram conhecidas", disse o engenheiro agrônomo.

O estudo revela ainda plantas que podem ser cultivadas nas áreas infestadas pelo microrganismo: as culturas do amendoim, algodoeiro, mamona e cana-de-açúcar, assim como as forrageiras Panicum maximum e Brachiaria decumbens, são resistentes ao Pratylenchus jaehni e também podem ser utilizadas visando à redução populacional do nematóide no solo de pomares infestados.

Outro ponto importante do trabalho foi a quantificação do prejuízo causado pelos nematóides em plantas jovens (sem produção de frutos). "Os resultados evidenciaram reduções de 22% na altura das plantas, 22,5% no diâmetro do caule e até 52,5% no volume da copa após a inoculação dos nematóides. Essas informações servem para conscientizar os produtores dos efeitos danosos da praga nos citros", afirmou Calzavara.

Segundo ele, dados de pesquisas estimam que as perdas anuais causadas por nematóides em citros, em termos mundiais, cheguem a 14,2% de toda a produção.

"No Brasil, os trabalhos ainda são incipientes e não se sabe, em termos porcentuais, qual o efeito na produtividade dos citros causado pelo Pratylenchus jaehni", disse o pesquisador que atualmente está, com bolsa da FAPESP, dando continuidade aos estudos na área em seu pós-doutorado também desenvolvido na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP.