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Criar e Plantar

Estudo analisa percepção de agricultores sobre riscos na aplicação de defensivos

Publicado em 23 março 2009

Uma pesquisa feita com plantadores de tomate indicou que 72,9% dos entrevistados têm consciência do risco a que estão expostos quando manipulam agrotóxicos, mas essa percepção não é suficiente para, segundo o estudo, “desencadear o processo de mudança de atitude”. O trabalho, feito em seis municípios de Goiás, foi publicado na revista Ciência e Agrotecnologia e identificou também que muitos trabalhadores começaram na lavoura ainda na infância – com cerca de 10 anos de idade – e a grande maioria tem apenas o ensino fundamental incompleto.

De acordo com Sueli Martins de Freitas Alves, professora da UEG - Universidade Estadual de Goiás - e uma das autoras do artigo, o estudo identificou em várias lavouras problemas no manuseio dos agrotóxicos. Os problemas, segundo ela, se iniciam no local em que são colocados os produtos que estão em uso, que é o mesmo onde estão os alimentos dos trabalhadores. “Verificamos também que durante o preparo da calda de aplicação, em algumas lavouras os responsáveis pela tarefa não usavam os equipamentos de proteção individual indicados para o manuseio. Eles também não levavam em conta o horário de aplicação nem a direção do vento, além de não usar os equipamentos de proteção individual”, disse. O estudo identificou que em apenas 30% das lavouras foram encontrados equipamentos de proteção individual fornecidos pelos proprietários das lavouras.

Os dados da pesquisa foram colhidos a partir das visitas de campo realizadas de dezembro de 2004 a outubro de 2005, em seis municípios de Goiás, estado que, em 2005, foi o maior produtor de tomate do Brasil. Foram entrevistados 96 trabalhadores.

De acordo com a pesquisa, os problemas no uso de agrotóxicos são decorrentes do modelo de produção agrícola adotado e da estratégia de introdução e difusão dessa tecnologia. “Esperar que, em curto prazo, os tomaticultores utilizem tecnologias alternativas não é uma previsão realista, pois essas tecnologias necessitam ainda de maior apoio técnico para poder alcançar os níveis desejados de produção agrícola e viabilidade comercial”, afirmou Sueli.

Fonte: Agência Fapesp