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Estudo alerta sobre interferência de eventos extremos no papel da Amazônia

Publicado em 06 março 2014

Por Sucena Shkrada Resk

O estudo Drought sensitivity of Amazonian carbon balance revealed by atmospheric measurements (Sensibilidade à seca de balanço de carbono da Amazônia revelada por medições atmosféricas, em português) realizado pelo Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (IPEN) em parceria com instituições inglesas e norte-americanas, publicado na revista Nature, alerta sobre a tendência de aumento de interferência de eventos extremos, com as mudanças climáticas, na capacidade de absorção de carbono da Bacia Amazônica. Segundo a pesquisadora Luciana Gatti, coordenadora do Laboratório de Química Atmosférica do Centro de Química e Meio Ambiente do IPEN, que liderou essa pesquisa, o levantamento teve como base a comparação entre os anos de 2010 e 2011.

Foram emitidas 510 milhões de toneladas de carbono em 2010, ano que teve uma seca severa intensa, apesar de menos desflorestamento no período, e a média de absorção pela floresta foi baixa, de 30 mi toneladas. Com isso, no balanço, foram liberadas 480 mi toneladas para a atmosfera", explicou a especialista à Horizonte. Luciana explica que esse quadro foi acelerado pela presença do El Niño (fenômeno de aquecimento das águas do oceano Pacífico, que pode afetar o clima regional e global), como também por alterações sofridas no Atlântico. Essa situação propiciou o aumento do número de queimadas e a região respondeu por aproximadamente 5% da emissão total do planeta, contando com as fontes dos combustíveis fósseis.

De acordo com a pesquisadora, os eventos extremos (secas, chuvas, inundações), tendem a ser mais frequentes, conforme o pior cenário previsto pelo 4º relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007. Na região, outro ano que também ocorreu uma grande seca foi 2005.

Durante o levantamento, o que se observou foram oscilações climáticas significativas de ano para ano. Ao contrário de 2010, em 2011, houve um volume de chuvas acima da média. A emissão de carbono na Bacia Amazônica foi de 300 milhões de toneladas. "Mas diferentemente do ano anterior a média de absorção foi de 250 milhões de toneladas, sendo liberados 50 milhões para a atmosfera", disse. Esse resultado fez com que a contribuição da região caísse para 0,6% nas emissões globais.

Mas para se fazer uma apuração mais detalhada deste quadro, Luciana explica que o ideal é que seja analisado o período de uma década. Nesta primeira etapa, os recursos na ordem de R$ 4 milhões, para quatro anos de pesquisa, foram provenientes da Agência de fomento inglesa (53%), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com 26%; da Comunidade Europeia (11%) e do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), com 10%. Os dados sobre 2012 e 2013 estão sendo finalizados, segundo a pesquisadora. "De forma preliminar apontam resultados que ficam no meio dos apurados entre 2010 e 2011. Em parte da Amazônia, em sua borda leste, houve seca e entre o Norte e Oeste choveu muito. Agora precisamos buscar novas fontes de financiamento para analisar os próximos anos", explica.