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Brasil Econômico

Estudantes vão ao exterior e estrangeiros miram o mercado local

Publicado em 25 novembro 2011

A concorrência que agora ganha dimensão internacional tanto na esfera profissional quanto na de estudos também começa a envolver o Brasil. Mas, por mais que o cenário esteja em transformação, Luiz Valcov Loureiro, diretor executivo da Fulbright no Brasil, aponta que o país ainda está longe de ter uma participação contundente no trânsito internacional de geração de conhecimento.

Ele cita, por exemplo, que dentre os estudantes de pós-graduação estrangeiros nos Estados Unidos, 130 mil são chineses, 100 mil são indianos, 70 mil são coreanos, 30 mil são canadenses, 25 mil são japoneses. Nesta lista, o Brasil soma 8,7 mil pós-graduandos, atrás de países como Vietnã e Nepal. Só a participação de chineses cresceu

30% de 2009 para 2010. Os números brasileiros ficaram praticamente estáveis. Mas a expectativa é de crescimento com novos programas do governo. E, segundo Loureiro, é perceptível o aumento da procura de bolsistas da Fullbright de outros países para trabalhar nos escritórios brasileiros.

Na Fapesp — a principal agência de fomento à pesquisa do estado de São Paulo — a crença é de que não há mais caminho de volta para o processo de intensificação da cooperação internacional no desenvolvimento de conhecimento. Mais do que isso, conforme aponta o diretor da instituição, Carlos Henrique de Brito da Cruz, é premente a necessidade de a construção do conhecimento ser colaborativa e produzida globalmente.

Não são só o governo e as empresas brasileiras que estão se movimentando para contribuir para que mais brasileiros estudem no exterior. Universidades estrangeiras veem no crescimento do país uma oportunidade para atrair novos estudantes. E o programa Ciências sem Fronteiras lançado recentemente pelo governo federal é o que mais vem despertando o interesse dessas instituições, especialmente pela possibilidade de custear cursos sanduíches (que permitem ao aluno cumprir parte de sua carga no Brasil e completar os estudos fora do país) entre as cerca de 75 mil bolsas previstas para serem distribuídas a estudantes de pós-graduação. (leia mais na pág. 8). Segundo Jamil Hannouche, diretor do Santander Universidades, esta e outras iniciativas mostram que o Brasil aponta claramente para uma nova condição política na educação. "Hoje o cenário é outro no país e a mobilidade internacional faz parte dele", diz.