Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Estudantes querem criar centro de memória

Publicado em 24 maio 2000

Um trabalho diferente de caça a documentos escolares antigos está sendo desenvolvido por cerca de 100 alunos das escolas Escolástica Rosa e Aristóteles Ferreira. A tarefa, que começou há 15 dias, tem uma única finalidade: criar o primeiro centro de memória escolar da Baixada. O projeto, que tem o nome de Historiografia das mais antigas escolas técnicas do Estado de São Paulo, está sendo feito apenas nas escolas técnicas paulistas que começaram a funcionar antes de 1930. Ele é coordenado pelo Centro Estadual de Ensino Tecnológico Paula Souza, mas tem a parceria da Universidade de São Paulo e os recursos repassados pela Fundação Estadual de à Pesquisa (Fapesp) Baixada, os dois únicos são a Escola Técnica Estadual Aristóteles Ferreira e a EE Escolástica Rosa, cuja antiga papelada está sendo pesquisada de forma conjunta porque dividia, até a década de 60, o mesmo espaço físico, um imenso terreno que começa na Avenida Bartolomeu de Gusmão e termina na Epitácio Pessoa. O trabalho dos estudantes, todos voluntários no projeto, é complexo. Munidos de luvas e máscaras especiais, eles vasculham os antigos armários da escola à procura de livros de atas, ofícios recebidos e enviados, boletins amarelados e tudo que possa servir para contar a história da escola. Todo o acervo antigo das duas unidades está na Escolástica Rosa, já que a Aristóteles foi um desmembramento posterior. O material utilizado pelos garotos e garotas, a maioria adolescentes do Ensino Médio, é enviado pela Fapesp. Estão aí incluídas as máscaras, luvas, pincéis para remover a poeira, caixas para acondicionar o material depois de preparado e até um micro, que servirá para catalogar todos os volumes. Visitação - "Estamos tentando resgatar um pouco da nossa história, das pessoas que já passaram por aqui", diz a estudante Luciane Orlando, aluna da Aristóteles, que diariamente dedica pelo menos duas horas de seu dia à realização do projeto. O trabalho começa assim: os alunos percorrem todas as dependências onde existam papéis antigos, limpam com pincéis a poeira, com farelo de borracha as páginas amareladas, reencadernam e anotam, na capa, o ano a que se refere e qual a origem do documento. As técnicas da historiografia eles aprenderam com a coordenadora geral do projeto, Carmen Silvia Vidigal Moraes, da USP. No dia-a-dia, também têm a supervisão das professoras Dulcinéia de Oliveira Gomes e Lilian Fátima de Souza. O interessante do projeto, dizem os alunos, é poder localizar algumas raridades, como a ata de inauguração do colégio, dia l.8 de janeiro de 1908. "Um dia desses achamos a carta de um jovem, que escrevia para o diretor da escola pedindo vaga no orfanato. O diretor manuscreveu indeferindo o pedido", conta Priscila Corrêa, aluna da Escolástica. A etapa da limpeza deverá estar concluída até junho. Depois disso, a intenção é levar todo o material para o centro de memória, que eles pretendem implantar em uma das salas da Escolástica, onde funcionava a casa do diretor. Mas para isso, precisarão que a Secretaria de Educação reforme o lugar, que tem problemas de infiltração, piso danificado e paredes precisando de pintura. Segundo Analdina Martes dos Santos, diretora da escola, os reparos já foram pedidos, mas ainda não há confirmação de quando serão realizados.