Notícia

Esteta

Estratégias de convencimento da opinião pública

Publicado em 11 abril 2014

Por Marcos Jorge

A Unesp recebeu na última semana a visita do professor Christian Delporte, da Universidade de Versailles, da França. O especialista em história das mídias analisou os métodos usados por personagens da política mundial no convencimento da opinião pública em palestra intitulada "A sedução: uma arma da comunicação política". Para o francês, o termo "sedução", que dá nome à palestra, se refere tanto ao processo de conquista da opinião pública quanto ao jogo das aparências exercido por seus atores.

O evento foi promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História da Unesp de Franca, pelo Centro de Documentação e Memória (Cedem) e pelo Projeto Jovem Pesquisador Fapesp (As transferências culturais na imprensa na passagem do século XIX ao XX - Brasil e França). A mediação foi feita por Valéria Guimarães, professora de Teoria da História na Unesp, no campus de Franca.

Em sua fala, Christian Delporte analisou métodos de convencimento da opinião pública usados por políticos de diversas épocas, como Napoleão Bonaparte e Abraham Lincoln, mas destacou que este fenômeno se acentua em meados do século XX, quando os discursos políticos se aproximam ideologicamente e os políticos precisam se destacar por outros meios, por exemplo, a aparência e a simpatia.

Nesse contexto, a televisão torna-se uma ferramenta extremamente eficiente para a comunicação política. "Não é o que existe que conta, mas o que é projetado e, para irmos mais ao fundo, não é o que o candidato projeta, mas o que o eleitor recebe. Não temos que mudar o homem, mas a impressão recebida. E esta impressão, freqüentemente, depende muito mais da mídia utilizada que do candidato em si", explica Delporte.

O professor francês cita o exemplo do norte-americano Richard Nixon que, amparado por uma equipe de profissionais de marketing, consegue se descolar da imagem de antipático e perdedor para vencer as eleições presidenciais de 1968. A campanha se esforça para mostrar um “novo Nixon”, mais sorridente e simpático, além de investir principalmente na exposição do candidato na televisão. Nas palavras de William Gavin, jornalista e um dos principais conselheiros de comunicação da campanha de Nixon, “raciocinar exige um alto grau de disciplina e de concentração; causar impressão é mais fácil”.

Se a televisão funciona como uma ferramenta eficiente para a sedução da opinião pública desde meados do século XX, o professor francês não acredita que a internet e as mídias sociais sejam capazes alterar esse mecanismo. Pelo contrário, elas servem mais para reforçá-lo. "Essa mídias funcionam em pequenas comunidades, de uma forma tribal. Nós até pode usá-las para ampliar nossas idéias, mas provavelmente acessaremos blogs e perfis de pessoas que pensam como nós", explica o especialista em história da mídia.

Deporte afirma ainda que, historicamente, a comunicação tem por característica a adaptação. "Na última campanha do Obama, por exemplo, essas ferramentas não foram usadas contra o candidato, pelo contrário. Elas foram muito bem aplicadas para que houvesse uma repercussão das propostas e para, sobretudo, atingir categorias que não seriam alcançadas de outra maneira, no caso, os jovens".

O pesquisador da Universidade de Versailles também questiona se, hoje em dia, seria possível vencer na política sem o uso de estratégias de marketing ou sem uma adequação aos padrões estéticos vigentes. "Para se tornar presidente do Brasil, Dilma Rousseff não pode se acomodar sobre sua competência de economista, sobre seu passado de guerrilheira ou sua brilhante cultura. Assim, transforma-se sua aparência", afirma o francês, citando as mudanças de penteado, cirurgias plásticas ou a renovação do guarda-roupas da candidata.

Potal Unesp