Notícia

Gazeta Mercantil

Estratégia para crescer

Publicado em 08 junho 1999

Por José Aníbal
Um dos grandes desafios que São Paulo e o Brasil precisam enfrentar para passar a um novo patamar de desenvolvimento pode ser resumido no tripé tecnologia-crédito-mercado. São fatores que, combinados, vão criar um ambiente favorável ao crescimento econômico e à melhoria da qualidade de vida da população. No aspecto da tecnologia, há exemplos em praticamente todos os setores econômicos de como precisamos urgentemente acoplar de forma mais eficaz a pesquisa ao setor produtivo. Já existem iniciativas importantes nesse sentido, principalmente envolvendo grandes empresas. Nossa tarefa é ampliar esse relacionamento e estendê-lo às pequenas e médias empresas, fundamentais para o objetivo de gerar empregos. Com essa aproximação entre pesquisa e setor produtivo, todos ganham: as empresas recebem apoio tecnológico para melhorar seus produtos e processos, ganham competitividade e, ao mesmo tempo, abrem-se para as instituições públicas de pesquisa novas alternativas de geração de recursos, já que as verbas dos orçamentos públicos dificilmente terão aumentadas a médio prazo. Os processos tecnológicos desenvolvidos também passam a integrar o banco de conhecimento das instituições. O cidadão, que paga impostos e mantém as instituições públicas de pesquisa, ganha com a geração de empregos e a melhoria de produtos e serviços. O governo de São Paulo, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, desempenha papel decisivo na aproximação entre tecnologia e produção. São vinculadas à secretaria algumas das principais universidades e centros de pesquisa do País: USP, Unicamp, Unesp, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) e Centro de Educação Tecnológica Paula Souza. Todas essas instituições desenvolvem parcerias com a iniciativa privada, mas há muito espaço para ampliar esse intercâmbio. As empresas de todos os portes ainda precisam conhecer melhor a estrutura de pesquisa no Estado de São Paulo. É nossa prioridade. Entretanto, de pouco adiantará fornecer apoio tecnológico - especialmente à pequena e média empresa - se não houver linhas de crédito para viabilizar a produção. A queixa mais comum do setor produtivo é a dificuldade de obter financiamento. Apenas um exemplo: em reunião recente, em Birigui, quando foi feita à platéia de 60 empresários calçadistas a pergunta sobre quantos ali tinham empréstimos da linha Finame, do BNDES, nenhum levantou a mão. O diagnóstico é claro e levou a secretaria a reunir a direção do BNDES, do Banco do Brasil e da Nossa Caixa Nosso Banco na busca de ações coordenadas para a questão do crédito. O grupo produzirá, a curto prazo, propostas que permitam, por exemplo, apoiar o empresário na apresentação de garantias ao empréstimo. Seria o caso dos fundos de aval, já aprovados pelo Congresso e pela Assembléia paulista. Além de tecnologia e crédito, o setor produtivo precisa "abrir" mercados. O momento é propício a um grande esforço exportador, inclusive por parte dos pequenos e médios empresários. Ocorre que as "gôndolas do mercado mundial" estão cheias e, para colocar nossos produtos, temos que disputar e deslocar concorrentes. Não basta falar em exportar, é preciso viabilizar uma nova etapa em nosso comércio exterior. Estamos trabalhando para detectar e eliminar os principais entraves ao comércio externo de São Paulo. Este é um propósito que reúne diversas entidades, e o empenho vai começar a dar resultados. O comércio externo, por outro lado, precisa de uma política duradoura, e não apenas de lampejos ligados à desvalorização do real. A ação baseada no tripé tecnologia-crédito-mercado terá melhores resultados na fase inicial se aplicada a cadeias produtivas já estabelecidas, nas quais predominam as pequenas e médias empresas. Assim, nossos programas estão voltados, neste momento, aos setores de plásticos, couro e calçados, móveis, agronegócios e jóias e bijuterias. No caso dos calçados, por exemplo, especialistas apontam um forte potencial de geração de empregos, desde que o tripé mencionado acima funcione. A geração de empregos e renda é o objetivo central de todo esse processo, conforme orientação do governador Mário Covas. Com produtos tecnologicamente melhores, crédito acessível e mercado ampliado, as empresas terão condições de crescer, com abertura de novos postos de trabalho. Ao poder público cabe atuar colocando o foco nas soluções e induzindo ações que permitam superar obstáculos ao desenvolvimento de nosso Estado. É o que está sendo feito. Deputado federal pelo PSDB-SP e secretario de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.