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Estrangeiros deixam a capital em busca de trabalho no interior de São Paulo

Publicado em 24 setembro 2013

Estudo aponta mudança na dinâmica populacional no Estado de São Paulo. Ao contrário da década de 1980, quando estrangeiros chegavam e se concentravam na região metropolitana da capital, agora há um movimento significativo de bolivianos, paraguaios, chineses e coreanos na direção do interior para trabalhar nas áreas agrícola, industrial e comercial.

De acordo com o trabalho, a saturação do mercado de trabalho na cidade, a busca de melhor qualidade de vida e o aquecimento de segmentos variados no interior, levam até mesmo os paulistanos a fortalecer o movimento de interiorização. Pelos mesmos motivos, cresce a migração de retorno aos Estados de Minas e Paraná.

As informações fazem parte do trabalho Observatório das Migrações em São Paulo, coordenado por Rosana Baeninger, professora do Departamento de Demografia e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (Nepo/Unicamp), que foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O levantamento dos dados desde 2009 envolveu 16 pesquisadores e 38 alunos de mestrado, de doutorado e de iniciação científica e resultou na coleção de 12 volumes Por Dentro do Estado de São Paulo, que acaba de ser lançada.

"Nosso objetivo foi analisar a configuração dos movimentos migratórios atuais a partir das raízes históricas desses processos. Para tanto, investigamos a formação social paulista desde o século 19, na passagem para o século 20 e ao longo dele, chegando ao início do século 21", afirma Baeninger.

Em relação à migração internacional, Baeninger afirmou que as novidades se explicam por conta da inserção de novas regiões paulistas na lógica do capital internacional - ou seja, mais investimento externo, mais demanda por mão-de-obra.

"Profissionais bem qualificados continuam chegando a polos de alta tecnologia como Campinas, vindos de países como Alemanha e França. Mas agora há também uma interiorização da mão de obra não qualificada que antes se concentrava na capital", explica a pesquisadora.

Nesse cenário, segundo a reportagem da Agência Fapesp, enquadram-se bolivianos e paraguaios na indústria têxtil de Indaiatuba e Americana; chineses no comércio de Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto; coreanos na indústria de semijoias e bijuterias de Limeira; e haitianos na construção civil de diferentes regiões.