Notícia

Ensino Superior

Estímulo aos novos pesquisadores

Publicado em 01 outubro 2009

Por Arthur Roquete de Macedo

Nas décadas de 80 e 90 do século passado foram consolidados, por estímulo de órgãos governamentais federais e estaduais, e principalmente por engajamento das instituições de ensino superior públicas e privadas, dois programas fundamentais para o aprimoramento do ensino de graduação.

Refiro-me ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e ao Programa de Educação Tutorial (PET). Este, nascido em 1979 por iniciativa de ex-bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e com forte apoio do professor Cláudio de Moura Castro, sofreu até certo ponto um processo de descontinuidade com sua transferência da Capes para a Secretaria de Educação Superior (Sesu), sendo posteriormente instituí­do oficialmente pela lei 11.180/2005 e regulamentado pelas portarias nº 3.385/2005, nº 1.632/2006 e nº 1.046/2007, que dispõem sobre as normas para o seu funcionamento.

O PET, diferentemente do que ocorre com o Pibic, deve ser desenvolvido em grupo (Grupo PET), com tutoria de docente, organizado a partir de cursos de graduação e orientado pelo princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. São suas características fundamentais:

Promoção de uma formação acadêmico-profissional ampla;

Interdisciplinaridade, objetivando construir uma formação acadêmica em consonância com o estágio atual do desenvolvimento científico;

Atuação em grupo, envolvendo ações conjuntas que fortaleçam a atua­ção coletiva;

Integração contínua do bolsista com docentes e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da IES à qual estão vinculados;

Interação com a comunidade acadêmica e a sociedade, promovendo a troca de experiências e estimulando a crítica e a mútua aprendizagem;

Desenvolvimento de programas diversificados de atividades, mesmo as não relacionadas ao projeto pedagógico do curso de graduação a que atendem.

Não obstante seus objetivos inteligentes e inovadores e sua concepção correta, o Programa PET não teve, a não ser em algumas instituições (e aqui deve ser citada a Unesp, que abrigou o maior número de programas dessa ordem na década de 90), o mesmo sucesso do Pibic, seu irmão siamês, que apresentou um desenvolvimento paulatino e progressivo com a proliferação de programas com boa sustentação acadêmica, científica e financeira em várias instituições públicas e particulares de ensino superior.

Para tanto contribuiu, de forma decisiva, em diferentes momentos o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Capes e da Sesu.

Também não pode e não deve ser relegado a um segundo plano o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), pelo seu empenho, pela qualidade dos congressos que promoveu e pela seriedade e atenção que dá ao Pibic.

De fato, os Congressos Nacionais de Iniciação Científica (Conics) constituí­ram-se em eventos emblemáticos e de grande prestígio na Iniciação Científica brasileira, em razão de sua periodicidade, ampla participação das instituições de ensino, alunos e professores, bem como da qualidade crescente dos trabalhos apresentados por jovens de diferentes regiões do país.

Tive a oportunidade de realizar uma pequena intervenção na solenidade de abertura do 1º Conic, realizado na Universidade Cruzeiro do Sul. Na ocasião, percebi que estava sendo plantada uma semente que germinaria e apresentaria resultados relevantes. Participei de outros eventos em anos subsequentes e constatei a melhora da qualidade dos trabalhos apresentados, a participação cada vez mais efetiva dos estudantes e o crescente número de trabalhos apresentados, consolidando uma iniciativa de grande visão acadêmica e fortalecimento institucional.

Outros dados que devem ser ressaltados se referem à contribuição do CNPq e da Fapesp na concessão de bolsas de iniciação científica.

Com relação ao CNPq, nos últimos dez anos o número de bolsas de iniciação científica se elevou de 17.120 bolsas outorgadas em 1997 para 26.298 em 2008.

Por outro lado, a Fapesp também aumentou significativamente o número de auxílios concedidos, passando de 1.185 em 1996 para 2.587 em 2007. Mas o crescimento observado e a importância crescente do evento não teriam sido possíveis sem o engajamento acadêmico, administrativo e financeiro das instituições de ensino superior do sistema particular, que fizeram da iniciação científica um instrumento para o aperfeiçoamento da formação do aluno de graduação; e da consolidação de pesquisa institucional e de apoio ao cumprimento de sua função social.

O mais relevante, no entanto, é que o Conic tem se tornado importante evento de apoio para que a iniciação científica atinja seus objetivos primordiais, entre os quais merecem destaque:

Integrar as atividades de ensino, pesquisa e extensão;

Incentivar novos talentos para a realização de pesquisas científicas;

Contribuir para o aprimoramento da formação global do estudante durante a graduação;

Estimular os pesquisadores das instituições a envolver alunos de graduação nos projetos de investigação científica da instituição;

Aproximar e promover o intercâmbio entre a graduação e a pós-graduação;

Desenvolver no aluno o espírito crítico e despertar a criatividade e o pensar científico;

Estimular o exercício de cidadania;

Promover a aproximação entre jovens de instituições, cursos e regiões distintos de nosso país.

Fica, portanto, patente a importância da iniciação científica e o papel relevante do Semesp em sua promoção e consolidação.

 

Arthur Roquete de Macedo é presidente do Instituto Metropolitano de Saúde da FMU (IMS/FMU); professor emérito da Faculdade de Medicina da Unesp; membro da Academia Brasileira de Educação, ex-reitor da Unesp e membro do Conselho Nacional de Educação