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Jornal Brasil

Estímulo à pesquisa

Publicado em 11 julho 2016

Criado em 2003, o Fundo de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e à Extensão (Faepex) da PróReitoria de Pesquisa (PRP) da Unicamp passou por mudanças e expansão nos últimos anos, tornando-se acessível a um número maior de docentes. Em 2015, pela primeira vez, o montante de recursos superou os R$ 10 milhões.

“O objetivo do fundo é financiar as atividades de pesquisa, ensino e extensão, injetando recursos que não puderam ser obtidos por meio de outras agências de fomento”, disse o professor Fernando Antonio Santos Coelho, assessor da PRP, cuja titular é a professora Glaucia Pastore. “O Faepex financia, por exemplo, parte dos custos de viagem (passagens e diárias) para participação em eventos científicos, auxilia alunos que estão concluindo dissertações e teses, trabalhos de campo em projetos de pesquisa, entre outras atividades”, disse. Esse valor per capita era de R$ 4 mil no início de 2013. O teto atual é de R$ 5 mil por docente, ao ano.

“Há uma série de atividades contempladas, todas elas fortemente relacionadas às três áreas de atuação da Universidade: ensino, pesquisa e extensão. O objetivo é oferecer um recurso adicional, complementar, para fazer com que as diversas atividades possam ser executadas de modo adequado”. Coelho faz questão de enfatizar o caráter de complementaridade do fundo: “A ideia central é estimular o professor ou o pesquisador a buscar recursos para o financiamento da pesquisa de todas as agências possíveis”, afirmou. “Por que isso? Porque, normalmente, os recursos da Universidade são limitados”.

O docente ou pesquisador se habilita a obter financiamento desde que atenda aos critérios de complementariedade. Ela pode envolver um projeto de pesquisa em andamento, financiado por alguma agência externa à universidade, como a Fapesp ou o CNPq; a titularidade de uma bolsa de pesquisador nível 1 ou 2 do CNPq; a demonstração de um bom histórico de captação de recursos ao longo dos últimos cinco anos, ou ter tido projetos, financiados por agências externas, encerrados nos 12 meses anteriores à solicitação. As regras completas e os formulários para uso do fundo podem acessados no site da Unicamp, a partir do endereço http://www.prp.gr.unicamp.br/faepex .

“O fundo tem uma característica de premiar, ou incentivar, a pesquisa e a qualidade entre os professores”, disse Coelho. “Por exemplo, o que significa ser CNPq nível 1 ou 2? É um reconhecimento nacional da sua competência na área de trabalho. Posso dizer que mais ou menos 70% dos docentes da Universidade estão aptos a solicitar recursos ao Faepex”.

O acesso dos pesquisadores nível 2 ao fundo foi uma mudança recente nas regras, disse Coelho. “A evolução do tempo mostrou que há uma grande competição pelo nível 2. Então, a obtenção dessa categoria de bolsa acaba também sendo um mérito que qualifica a pesquisa e o pesquisador da universidade que a desenvolve”.

“O pesquisador nível 2, normalmente, é o pesquisador mais jovem. Com essa mudança, permitimos que esses pesquisadores tenham chance na acirrada disputa por recursos”, acrescentou o professor Douglas Soares Galvão, também assessor da PRP. “Então você dá oportunidade também a esse jovem pesquisador, que geralmente não tem um currículo tão competitivo quanto o de um professor mais sênior. Com isso, aumentamos também a inclusão dos professores mais jovens”.

Todas as áreas de conhecimento acessam o fundo, de acordo com os assessores da PRP. “A obtenção de recursos no Faepex é baseada em mérito. Se o docente ou pesquisador atende aos critérios de complementaridade e de mérito, ele pode conseguir o recurso solicitado”, disse Coelho. “O que acontecia no passado, e que a gente fez um esforço enorme nos últimos tempos para mudar? Muitas vezes, não havia como atender o pleito por completo – o professor tinha um projeto qualificado pelos assessores e obtinha em média apenas 75% do valor solicitado ao Faepex. Em algumas situações, o valor obtido podia inviabilizar a execução da proposta.  Atualmente, a média obtida chega a quase 95% do valor solicitado”. O professor acrescenta que essa taxa faz do fundo “um parceiro confiável para a grande maioria dos docentes e pesquisadores da Unicamp”.

Congressos científicos
Outra alteração recente nas regras do fundo, adotada em 2014, passou a permitir o financiamento, também em caráter complementar, da realização de congressos científicos nos campi da Unicamp.

“Esse foi um programa que fez muito sucesso”, disse Coelho. “Originalmente, seriam duas chamadas de R$ 300 mil cada, para atender até dez projetos por chamada, ou seja, R$ 30 mil cada. Entretanto, na primeira chamada recebemos 199 pedidos, que ultrapassaram o total de R$ 900 mil. As solicitações encaminhadas atendiam a congressos em todas as áreas de conhecimento. Esse edital aumentou consideravelmente a quantidade de congressos que acontecem hoje na Universidade”. Nos anos de 2014 e 2015, os editais de Congressos auxiliaram na organização 94 eventos em todos os campi da universidade, e em todas as áreas de conhecimento.

Frente à grande demanda e à limitação de recursos – os R$ 300 mil previstos originalmente foram complementados até chegar a R$ 400 mil, e houve uma segunda chamada, de R$ 200 mil – a solução encontrada foi fazer o que Coelho chamou de “distribuição não- linear” dos recursos.

“Olhamos todos os projetos aprovados pelos assessores e atribuímos um volume de recursos que viabilizasse as diferentes etapas do evento científico. Por exemplo, alguns eventos precisavam de dinheiro para pagar passagem – eles tinham conseguido outras coisas, mas não a passagem do convidado internacional. Então, o Faepex financiava a passagem aérea. Conseguimos atender muitas solicitações em todos os campi da universidade”, declarou. Uma exigência dessa modalidade é que o congresso ocorra num campus da Unicamp. “Um professor da Universidade que esteja envolvido na organização de um evento fora não tem acesso a esses recursos”.

A PRP observou um aumento na circulação de pesquisadores de fora da Unicamp dentro da Universidade. “Isso facilita e aumenta o intercâmbio, favorece que os alunos tenham contato com pesquisadores internacionais de bom nível, abre os canais tanto para futuras colaborações científicas quanto para a mobilidade de estudantes, por meio de estágios e bolsas sanduíche na pós-graduação”, disse.

Novo professor
Em 2014, também houve a ampliação dos recursos oferecidos, via Faepex, a docentes e pesquisadores recém-contratados pela Universidade. “Já havia um programa, implementado em outras gestões, que permitia aos professores que estavam chegando à Universidade solicitar recursos ao Faepex. Essa solicitação era condicionada à submissão, pelo novo docente ou pesquisador, de um projeto de pesquisa para ser financiado por uma agência de fomento”, descreveu Coelho.

“Inicialmente esse programa concedia até R$ 8 mil, depois esse valor foi alterado para R$ 12 mil. Em 2014, alteramos para R$ 15 mil. Além disso, após a aprovação do financiamento do projeto por uma agência de fomento, o docente ou pesquisador poderia obter uma bolsa de mestrado. Esse pacote de benefícios foi ampliado, ainda, com a inclusão de uma bolsa de iniciação científica”, disse.

“No momento em que o novo docente tem o protocolo de submissão de um projeto a uma agência de fomento, por exemplo, ele vem ao Faepex e solicita o recurso dentro do programa de início de carreira. E pode levar até R$ 15 mil. Nos últimos anos, nós temos feito um grande esforço para liberar R$ 15 mil. O que significa isso? Significa que o novo docente ou pesquisador tem recursos para iniciar o seu trabalho de pesquisas, seja comprando um computador, mobiliário para escritório, pequenos equipamentos e reagentes”.

“Um docente novo que chega a um programa de pós-graduação estabelecido, dependendo de como o programa esteja organizado, vai ter extrema dificuldade de conseguir uma das bolsas institucionais administradas pelos programas”, disse Coelho. “Então, é difícil conseguir o primeiro aluno de mestrado, o primeiro aluno de iniciação científica. A partir do momento que o Faepex disponibiliza para ele recursos para o financiamento de um aluno de mestrado por 24 meses e uma bolsa de iniciação científica por 12 meses, damos condições reais a esses novos colegas de montar o grupo de pesquisa dele e começar formalmente a sua carreira acadêmica, independentemente na Unicamp”. Esse programa auxilia a consolidação dos programas de Pós-graduação, principalmente os mais novos.

O Faepex online
Nos últimos três anos, a PRP, com apoio do Centro de Computação da Unicamp (CCUEC), vem trabalhando para transferir todas as atividades do Faepex, realizadas anteriormente em papel, para o sistema digital. “As famosas pastas amarelas do Faepex se transformaram em pastas digitais”, disse Coelho. “Todos os teores atendidos pelo Faepex já estão online desde o início do mês de março desse ano, fechando um ciclo que moderniza as relações do Faepex com a comunidade”.

O professor acrescenta que estudos para a implantação de assinatura digital para os termos de outorga também estão em andamento. “Com a complementação desse trabalho, o sistema Faepex será completamente digital, e tanto as solicitações quanto a assinatura do termo de outorga poderão ser feitas sem que o docente ou pesquisador saia do seu escritório”, assinalou.

Outras ações administrativas foram implementadas com a Funcamp, com o objetivo de aumentar a eficiência na gestão de todo o sistema. “Essas ações estão em consonância com o compromisso assumido pela professora Gláucia Pastore, pró-reitora de pesquisa, de colocar a PRP como uma facilitadora das atividades de pesquisa desenvolvidas na Universidade”.

Coelho acrescenta que uma integração digital entre os sistemas de gerenciamento do Pibic-EM (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica – Ensino Médio), do Programa Ciência & Arte nas Férias (CAF) e do Programa Ciências & Arte no Inverno (CAFin) também está em andamento e será disponibilizado nos próximos meses. “Essas ações devem contribuir para o aumento da eficiência no atendimento prestado pela PRP, abrindo espaço para outras ações”.

Estímulo à publicação
Desde 2013, a PRP trabalha para conhecer e qualificar a pesquisa científica e tecnológica desenvolvida na Unicamp. “Os levantamentos constantemente realizados pela PRP em bancos de dados internacionais mostram que a pesquisa desenvolvida pela Unicamp está nos patamares mais altos quando comparada com outras universidades brasileiras, russas e sul-africanas, entre os países do BRICS”, disse Coelho. “Entretanto, nosso desempenho fica um pouco comprometido quando comparado com outros países do BRICS, China e Índia”.

“Além disso, ele ainda não pode ser comparado ao de universidades mais tradicionais da Europa, América do Norte e da Ásia, com ênfase no Japão”, acrescentou o assessor. “Esses levantamentos mostram claramente que a pesquisa da Unicamp é de boa qualidade em várias áreas, mas também mostram que as nossas publicações, em sua maior parte, não têm um impacto muito elevado. Em outras palavras, sofremos de um mal que aflige a ciência brasileira. Publicamos muito, mas com qualidade apenas moderada”.

A PRP vai lançar dois novos programas, que serão administrados através de editais anuais. O primeiro tem por objetivo incentivar a internacionalização de títulos publicados na Unicamp.

“Vários desses periódicos científicos apresentam regularidade, têm corpo editorial qualificado, utilizam o sistema de revisão pelos pares, mas precisam de recursos para publicar os seus artigos em língua estrangeira”, explicou o professor. “Esse edital visa atender essa demanda e dará outras providências, visando termos periódicos editados na Universidade que sejam indexados em diferentes bases de dados internacionais”.

O outro edital pretende premiar os autores da Unicamp que publicam os seus artigos científicos em periódicos indexados com índice de impacto igual ou superior a 6. Esse programa teve origem em avaliação, realizada pela assessoria da PRP, que mostra que a maioria dos periódicos com elevado índice de impacto se situa na área multidisciplinar.

“Esse edital tem por objetivo também estimular as interações entre as diferentes áreas de conhecimento da Universidade, com o objetivo direto de aumentar ainda mais a qualidade da pesquisa desenvolvida na Unicamp, mas também a sua visualização internacional”, disse Coelho. “Os recursos serão utilizados para o financiamento de itens de pesquisa dos docentes e pesquisadores contemplados. O lançamento desse edital também deve ocorrer no início do segundo semestre de 2016”.

Balanço
Nos últimos anos, o Faepex tem mantido um orçamento da ordem de R$ 8 milhões, constituído por recursos próprios da Unicamp e, também, por uma cota de 3% descontada de todos os recursos externos trazidos por contratos para a realização de projetos de pesquisa na Universidade. “Essa cota corresponde a 35% de todos os recursos do Faepex, ou cerca de R$ 2 milhões”, declarou Coelho.

“Costumo dizer que o Faepex tem um poder distributivo muito relevante”, afirmou. “A Universidade é muito heterogênea na sua composição. Existem docentes e pesquisadores que realizam pesquisas capazes de levantar grandes volumes de recursos de empresas e de outras instituições, entretanto isso não é verdade para todas as áreas de pesquisa da Universidade. As áreas mais básicas não conseguem arrecadar muitos recursos, de empresas privadas, com tanta facilidade“.

Fonte Jornal da Unicamp