Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

Este é o vinho paulista

Publicado em 28 fevereiro 2010

O consumo de vinhos populares representa 85% do mercado nacional. Desses, 60% estão na Grande São Paulo. O vinho fino ocupa 15% do mercado nacional e, neste quesito, São Paulo é mais consumidor do que produtor. Existem também três tipos de produtor no Estado: o que produz vinho com uvas próprias, o que usa uvas do Sul e o que só faz o envasamento.

Esses são alguns dados do diagnóstico do vinho paulista realizado por pesquisadores de várias instituições, com o objetivo de mapear as dificuldades e as potencialidades da produção. E entre os problemas pesa a fama de produzir apenas vinhos populares, sem qualidade. O projeto, batizado de Revitalização da Cadeia Vitivinícola Paulista: Competitividade, Governança e Sustentabilidade, está sendo realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os pesquisadores identificaram 945 viticultores em quatro municípios. Foram entrevistados 284 produtores de uva em Jundiaí, 61 emjarinu e oito em São Roque. São Miguel do Arcanjo concentra o maior número de produtores: 592. O estudo faz uma constatação preocupante: "O processo de especulação imobiliária, ou seja, o preço da terra, afastou e restringiu a permanência do produtor no campo", alerta a coordenadora do projeto Adriana Renata Verdi.

Ou seja, onde havia plantações, hoje estão condomínios residenciais fechados, de médio e alto padrão. É o que se vê com clareza em São Roque, que tem apenas oito produtores, e em Jundiaí, onde esperava-se encontrar 600 produtores e hoje são menos de 284.0 censo apontou também as variedades de uvas mais presentes no Estado: 35% do vinho vem da cepa de mesa niágara. As uvas itália e rubi também ocupam grande parte das áreas destinadas às vinhas.

E isso, diante de um consumidor em constante aprimoramento como o brasileiro, em especial o de São Paulo, não é muito animador. As uvas europeias, mais indicadas à elaboração de vinhos finos, estão demorando a chegar por aqui. Mas estamos bem em alguns quesitos. "Para uva, temos insumos, embalagem e assistência técnica. Para o vinho, embalagem, rótulo e equipamento", diz Adriana.

Desenha-se também no Estado, o enoturismo, que consiste em levar o visitante ao campo e à vinícola, proporcionando contato direto com a elaboração do vinho. A modalidade

já funciona muito bem no Sul. Mas aqui... "É turismo de um dia e a falta de infraestrutura tem atrapalhado o desenvolvimento dessa atividade", comenta a pesquisadora. Entre as dificuldades, para variar, estão a falta de mão-de-obra qualificada, falta de assistência técnica, a informalidade do produtor e, para variar, o ICMs mais elevado em relação a outras regiões vinícolas.

Este é o vinho paulista. E ele tem gás para melhorar. Fora a iniciativa da IEA, a Embrapa tem dado inúmeras contribuições, inclusive no desenvolvimento de clones adequados ao clima paulista. Saúde!