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Estagiários da Embrapa Meio Ambiente foram selecionados pelo Ciência Sem Fronteiras

Publicado em 23 agosto 2013

Wallace Souza, de 22 anos e Rafael Accetturi, de 29, são os primeiros estagiários da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) selecionados pelo Ciência Sem Fronteiras, programa do governo federal que oferece bolsas de estudo no exterior para uma "graduação sanduíche", pela qual parte do curso é realizada no Brasil e outra parte em uma universidade estrangeira.

Os estudantes contemplados atendem exatamente ao perfil de jovens talentos que o governo quer qualificar. Wallace é aluno do curso de Engenharia Ambiental do 10º e último semestre. Já Rafael cursa o último período de Medicina Veterinária, ambos na Faculdade de Jaguariúna (FAJ). Apesar de serem de áreas diferentes, ambos têm em comum o fato de terem estagiado na Embrapa Meio Ambiente, serem alunos com ótimo desempenho acadêmico e atuarem em programas de iniciação científica.

Na Embrapa, Wallace concluiu em 2012 o projeto de iniciação científica Isolamento e caracterização de Amycolatopsis spp. em solos de reflorestamento do Estado de São Paulo, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sob orientação de Tiago Domingues Zucchi, no Laboratório de Microbiologia Ambiental (LMA).

Em 2013, iniciou o projeto Taxonomia polifásica de Amycolatopsis spp. isoladas de solos de reflorestamento, também com o apoio da Fapesp e orientação deTiago Zucchi.

Conforme seu orientador, “com esses projetos foi estendido de forma considerável o número de isolados de Amycolatopsis spp., uma importante fonte biológica para prospecção de biomoléculas de interesse biotecnológico na coleção da Embrapa Meio Ambiente”.

“Foram isoladas mais de 200 linhagens dos solos de três fragmentos florestais em processo de restauração do Estado de São Paulo. Uma dessas linhagens está sendo descrita como uma nova espécie de Amycolatopsis, nomeada Amycolatopsis rhabdospora sp. nov., e outras estão sob investigação por se tratarem de possíveis espécies novas”, explica Zucchi.

“Wallace demonstrou um elevado interesse e comprometimento na pesquisa científica e os frutos desse esforço deverão ser recompensados em breve com a publicação dos seus resultados. Seu entusiasmo, dedicação e responsabilidade, aliado ao seu desempenho acadêmico acima da média, justificam investir em sua futura carreira. Uma prova disso foi a sua recente aprovação no programa Ciências sem Fronteira, onde ele desfrutará de uma experiência ímpar em uma renomada Universidade irlandesa”, acredita o orientador.

Rafael Accetturi, que fez seus trabalhos no Laboratório de Ecossistemas Aquáticos (LEA) atuou tanto na rotina diária, como alimentação, controle da qualidade de água e sanidade dos peixes, como acompanhamento, adaptação e a montagem dos sistemas modulares de aquários e tanques experimentais para a realização de experimentos com peixes e aquaponia.

“Além disso, recebeu treinamento sobre diferentes métodos de avaliação de impacto ambiental da piscicultura a partir do uso de indicadores físicos, químicos e biológicos de qualidade de água”, diz Marcos Losekan, responsável pelo laboratório.

Rafael também acompanhou e participou das ações de pesquisa e trabalhos no campo propostos nos projetos relacionados à piscicultura em diferentes sistemas de manejo - viveiros escavados e tanques rede em grandes reservatórios.

Pelo programa, os alunos de todos os cursos de graduação e pós-graduação da Instituição que adere ao programa podem pleitear uma bolsa de estudos em universidades de países como Estados Unidos, Alemanha, Japão, Austrália, Portugal, Irlanda e Coreia do Sul. O objetivo do governo é possibilitar que os estudantes brasileiros façam estágio no exterior e mantenham contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação.

Os jovens ficarão 18 meses no exterior: Rafael embarcou em julho para estudar na Murdoch University, em Perth, na Austrália, enquanto Wallace parte para a Irlanda no final deste mês, onde fará um intensivo de inglês durante um ano no Institute of Technology Sligo e mais 6 meses de graduação na área ambiental.

Além de bons resultados acadêmicos, o programa exige que o candidato tenha cursado entre 20% e 90% do currículo de sua graduação, passe por um teste de inglês e tenha obtido média igual ou superior a 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No caso de Wallace e Rafael, contribuiu ainda o fato de participarem de projetos de iniciação científica e serem bolsistas do Prouni – Programa Universidade Para Todos, do governo federal.

“Com certeza ajudou no processo de seleção o fato de trabalharmos em pesquisa científica. O objetivo do programa é que o estudante aprenda e volte para aplicar os conhecimentos adquiridos. Faço iniciação científica e queria aproveitar a oportunidade para me aprofundar, porque meu objetivo é seguir na área acadêmica. Esta experiência vai me ajudar bastante”, afirma Wallace, que não esconde a ansiedade pela viagem e a expectativa de fazer contatos, além da chance de adquirir uma visão diferenciada sobre as questões que estuda na área ambiental.

“Além de me aprofundar no inglês e poder ver meu curso com uma abordagem diferente, a experiência cultural de morar em um país totalmente diferente do nosso vai ser fantástica. Quero aproveitar tudo o que puder em termos de vivência acadêmica, cultural e pessoal”, completa.

Os estudantes têm direito a uma bolsa mensal e o pagamento de todas as despesas com taxas escolares, seguro-saúde, alojamento e alimentação, passagens aéreas ou auxílio deslocamento e auxílio instalação no país de destino. Eles retornam no início de 2015 e irão terminar seus respectivos cursos, com um diferencial valioso na formação: 18 meses de uma experiência que certamente marcará o resto de suas vidas.

(com informações de Bruno Felisbino, da Faj).