Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

Estado rejeita negociar sem desocupação

Publicado em 01 junho 2007

Recado do secretário de Justiça de São Paulo foi direto aos estudantes que continuam ocupando o prédio da reitoria da USP

O secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, mandou um recado, ontem, aos estudantes que ocupam a sede da reitoria da Universidade de São Paulo (USP). "Não haverá negociação enquanto eles ainda estiverem na reitoria", advertiu o secretário a uma comissão de alunos e representantes políticos que compareceu ao Palácio dos Bandeirantes.

Os estudantes escolheram dois representantes, os deputados do PSOL Ivan Valente e Carlos Gianasi, para serem recebidos pelo secretário Aloísio Nunes, da Casa Civil. Logo após o encontro, os deputados disseram que Marrey pode receber os manifestantes hoje, desde que eles desocupem a sede da reitoria da universidade.

Por volta das 19 horas, logo depois de a comissão recebida pelo governo do Estado deixar o Palácio dos Bandeirantes, os estudantes resolveram retornar à USP. Os alunos da USP decidiram também que a ocupação da reitoria será mantida, pelo menos, até as 18 horas de hoje, quando uma nova assembléia será realizada.

Clima tenso

Um grupo de cerca de 15 pessoas foi recebido pelo assessor do governo Gustavo Hungaro e pelo secretário-adjunto da Casa Civil, Humberto Rodrigues da Silva. De acordo com os manifestantes, não houve avanço nas negociações. Eles pediam a "livre manifestação" e nada falaram sobre os decretos.

O clima ficou tenso quando cerca de 5 mil manifestantes, de acordo com estimativas da Polícia Militar, marcharam da USP em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. O objetivo dos estudantes era levar a passeata até a residência oficial de José Serra. As estimativas dos organizadores da passeata dão conta de 6 mil pessoas participaram do ato.

A Polícia Militar precisou ser acionada para impedir os manifestantes. A Tropa de Choque da PM chegou a fazer um cordão de isolamento para conter os manifestantes. Um estudante conseguiu furar o bloqueio e chegou a ser preso pelos policiais, mas foi liberado logo depois. Manifestantes foram contidos com o uso de gás de pimenta.

Segundo Marrey, a estratégia de reforçar a segurança do Palácio dos Bandeirantes não foi autoritária. De acordo com ele, um decreto do governador Mário Covas determinou que manifestações só podem ser feitas até o Estádio do Morumbi e que o perímetro do Palácio foi transformado em área de segurança.

Unicamp: aulas

O reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Tadeu Jorge, disseontem esperar para os próximos dias a retomada do funcionamento das universidades, paralisadas em protesto a medidas tomadas pelo governador José Serra.

Segundo Jorge, o novo decreto publicado hoje no Diário Oficial do Estado confirma e dá garantias de autonomia de gestão financeira às universidades paulistas.

Na quarta-feira, Jorge assinou carta com os outrtos reitores — Suely Vilela (USP) e Marcos Macari (Unesp) — e com o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Vogt, em que pediam ao governador do Estado esclarecimentos sobre o alcance dos decretos publicados no início de seu governo — para criação da Secretaria de Ensino Superior, limitações das contratações no Estado, reavaliações e negociações de contrat--os, normas para execução orçamentária e financeira, e de criação da Comissão de Política Salarial.

"Agora está muito explícito que restrições a contratações, revisão de contratos e política salarial serão questões amparadas pela garantia de autonomia das universidades", disse o reitor da Unicamp.

"Imagino que agora as pessoas devam compreender, ter a garantia de preservação dessa autonomia e com isso levar a informação às assembléias e reuniões para que as universidades voltem ao seu trabalho normal," afirmou.

Passeata é barrada pela PM longe do Bandeirantes

A Polícia Militar formou um cordão de isolamento impedindo a passagem dos cerca de 3 mil estudantes, servidores e professores da Universidade de São (USP), que seguiam em passeata no cruzamento da Avenida Francisco Morato com a Avenida Morumbi, principal acesso ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo.

 

O governador de São Paulo, José Serra, estava disposto a receber uma comissão de estudantes, funcionários e professores da USP.

Um dos principais motivos do movimento são cinco decretos assinados pelo governador José Serra (PSDB) que, para parte da comunidade acadêmica, feririam a autonomia universitária. Mas também fazem parte das reivindicações contratação de mais professores, aumento do repasse para a educação, construção de moradia estudantil e reajuste.

O clima chegoui a ficar tenso no local, porque os manifestantes, continuvam dispostos a seguir com a passeata. Um manifestante tentou furar o bloqueio policial, foi preso e para de conter outros manifestantes, PMs usaram gás de pimenta.

Na quarta-feira, 30, um grupo de estudantes saiu da reitoria e passou o dia fazendo um "arrastão" por várias unidades do campus, convocando mais adesões. Eles pretendiam angariar o maior número possível de alunos para que, durante a manifestação de ontem a reitoria não ficasse esvaziada. Havia o temor de que a Polícia Militar aproveitasse o período para cumprir a reintegração de posse, ordenada há mais de duas semanas pela Justiça em ação movida pela reitora Suely Vilela.

Negociações

Ontem, a ocupação chegou a seu 29º dia sem negociações e resultados palpáveis. Na última segunda, cerca de 500 estudantes participaram de uma reunião com o secretário estadual de Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, com a reitora da universidade, Suely Vilela, com representantes do Ministério Público, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e funcionários e professores da USP, além de estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Não houve acordo no encontro, mas, segundo os estudantes, "o canal de negociação está aberto". (Da Agência Estado)