Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Estado investe em equipamento de previsão

Publicado em 23 julho 2000

Por Da Reportagem
O Governo do Estado vai investir US$ 15,6 milhões (cerca de R$ 28 milhões) na criação de um novo sistema de previsão meteorológica. O projeto, que já está em andamento, tem prazo de três anos para estar em pleno funcionamento. O Sistema Integrado de Monitoramento e Previsão Hidrometeorológica do Estado de São Paulo (Sihesp), funcionará em Ires pólos principais, que desenvolverão atividades específicas em relação à previsão do tempo. O trabalho de monitoramento meteorológico será desenvolvido pelas universidades públicas do Estado, e também por institutos de pesquisa estaduais. O primeiro pólo funcionará através de parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Departamento de Água e Energia (DAE) do Estado. Neste pólo, o principal trabalho será a previsão do tempo. Em Bauru, no interior do Estado, funcionará o segundo pólo do projeto, na Unesp. O objetivo deste pólo será a medição e monitoramento de tempestades elétricas. O último setor do Sihesp funcionará em Campinas, onde será desenvolvido um trabalho de previsão meteorológica relacionado à agricultura e à preservação das safras. "O principal objetivo do Sihesp é criar uma infra-estrutura permanente no setor de meteorologia, capaz de fornecer informações mais confiáveis sobre a previsão do tempo. Estas informações serão disponibilizadas em benefício de setores como a defesa civil, na prevenção de enchentes, por exemplo, e na agricultura", explicou um dos coordenadores do projeto, professor Hilton Silveira Pinto, da Unicamp. Ainda segundo o professor, os recursos para a implementação deste projeto, que só deve funcionar completamente a partir de 2002, virão da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão também ligado ao Estado, e do próprio Governo estadual. Além disso, o projeto ainda vai tentar conquistar o apoio da iniciativa privada. "A maior ênfase do projeto será a agricultura. Poderemos utilizar a previsão meteorológica feita por equipamentos modernos para evitar desastres que possam causar perda da safra agrícola", concluiu Pinto. Comunicação - O projeto ainda prevê a manutenção de um sistema de informações online, que poderão ser acessados por qualquer pessoa interessada em saber a previsão do tempo. Além disso, de acordo com o professor, os municípios serão informados de qualquer mudança no clima, se houver necessidade. "O Estado criou a Casa do Agricultor em 645 municípios. Nestes locais, qualquer agricultor poderá acessar as informações sobre previsão do tempo, que serão atualizadas a cada 15 minutos", concluiu. O Sihesp prevê a instalação de três radares meteorológicos e um sistema de detecção de raios no Estado. Além disso, serão criadas 71 estações meteorológicas em São Paulo (hoje existem apenas 49). Região vai ganhar radar oceânico Para aprimorar a previsão do tempo na Baixada Santista, o Governo instalará um radar oceânico, equipamento que fera a medição da velocidade e deslocamento das ondas, além de monitorar as correntes marítimas. De acordo com o professor de Metereologia da USP, Augusto José Pereira Filho, este equipamento custará cerca de US$ 500 mil e será utilizado para informar todas as embarcações que estiverem navegando na costa do Estado. Segundo informou o professor, este radar será instalado no oceano e fará monitoramento a curta distância. O equipamento será constituído de um Radar Banda HF, que cobrirá uma área de dois a 40 quilômetros, e de um Radar Banda X, que fará o monitoramento de uma área de 500 metros a dez quilômetros. Além disso, o radar oceânico será alimentado com informações dos satélites meteorológicos que já existem atualmente. "A idéia é utilizar as informações fornecidas por este equipamento para aprimorar o transporte marítimo e as operações de gerenciamento dos dois principais portos do Estado, localizados em Santos e São Sebastião", explicou Filho. Pesca - O presidente do Sindicato dos Pescadores e Trabalhadores Assimilados do Estado de São Paulo, Luiz Demétrio, afirmou que a notícia de que o Governo estadual pretende investir em pesquisa científica representa uma boa novidade para os pescadores. "Temos registrado casos de pescadores que têm sido surpreendidos por tempestades em alto-mar e isso é muito preocupante, porque a qualidade das embarcações utilizadas na pesca é bastante precária e; não existe muita fiscalização por parte do Governo", relatou. Apesar de considerar a melhoria do sistema de previsão do tempo uma boa iniciativa, Demétrio afirma que o Governo poderia procurar investir em outras áreas da pesquisa científica. "Os pescadores têm enfrentado problemas com o prazo de defeso do camarão, pois existem espécies com ciclos de vidas diferentes, e todas elas estão incluídas no mesmo período de defeso. Precisamos de pesquisas na área de biologia marulha'', reivindicou.