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Estação inagurada na USP permitirá estudos remotos do Atacama

Publicado em 10 agosto 2006

Estação de Observações Remotas permitirá que pesquisadores operem remotamente telescópio no deserto para estudos astronômicos.
Inagurada nesta terça-feira (08/08), a Estação de Observações Remotas permitirá que pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) estudem o universo por meio do límpido céu do deserto do Atacama, no norte do Chile.
Os equipamentos instalados na USP estão em ligação direta com a sala de controle do telescópio Soar (Southern Astrophysical Research Telescope), equipamento inaugurado em abril de 2004. Todos os principais comandos necessários para a grande maioria dos experimentos científicos poderão ser acionados de forma remota e em tempo real.
"Isso vai mudar a forma de fazer pesquisa nesse departamento", disse João Steiner, professor do IAG e diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. "Estamos diante de uma revolução porque será possível, entre outras coisas, que os estudantes de astronomia façam pesquisa a partir do telescópio. É muito difícil eles conseguirem se deslocar com freqüência para o Chile", explica o pesquisador.
Segundo Beatriz Barbuy, vice-diretora do IAG, a construção da estação remota demorou dois anos para ser concluída. Agora com tudo pronto, conforme explica a cientista, o ganho científico será grande. "O modo observacional remoto é mais eficiente, de custo mais baixo e permite envolver mais observadores do que tem ocorrido até o momento."
Nos testes feitos durante a inauguração, pelos astrônomos Alexandre Bortoletto, em São Paulo, e Alexandre de Oliveira, no Chile, tudo funcionou de acordo com o previsto. Apesar disso, como se trata de uma experiência pioneira no Brasil, a cada dia novos aprimoramentos poderão ser feitos.
"Isso não existia no Brasil e é algo pouco trivial inclusive no mundo", explica Steiner. "A vantagem do Soar é que ele foi pensado, desde o começo, para permitir essas observações remotas."
O telescópio situado em solo chileno é fruto de um projeto multinacional. O Brasil, que investiu US$ 12 milhões por meio do CNPq e mais US$ 2 milhões pela FAPESP na construção do Soar, tem direito a usar o equipamento durante 33% do tempo, em um ano. "Temos 110 dias de observação. Dá para fazer bastante coisa durante esse período", admite Steiner.
A enorme construção branca está localizada a 2,7 mil metros de altitude. O telescópio, que traz embutido um espelho principal de 4,2 metros de diâmetro, ou 1,6 mil vezes mais potente que o maior telescópio em solo brasileiro, está instalado no alto do Cerro Pachón, a 80 quilômetros da cidade litorânea de La Serena.