Notícia

Jornal de Jundiaí

Esportes e os problemas de visão

Publicado em 27 janeiro 2008

Pressão intraocular, acuidade visual, alteração do nervo ótico, alterações na retina... Estes e outros fatores estão sendo pesquisados pela Escola Superior de Educação Física (Esef), de Jundiaí, e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A parceria tem o objetivo de descobrir quais são as alterações que pode sofrer a capacidade de visão das pessoas que praticam esportes.

O grupo de pesquisa chamado Oftalmologia Esportiva surgiu graças a uma iniciativa dos professores Marinho Jorge Scarpi e Marcelo Conte. "Tivemos a idéia em novembro de 2006 e, em janeiro de 2007, começamos a identificar pessoas na Esef e na Unifesp interessadas em participar do projeto. Hoje, a equipe conta com 54 pesquisadores e 16 técnicos", relata Conte, diretor de operações das pesquisas.

Os estudos envolvem cerca de 4 mil atletas de 22 modalidades de esportes diferentes. "Estamos fazendo diversos exames, entre eles a tomografia do disco ótico, teste de sensibilidade de contraste, biomicroscopia do olho, exames de respostas neurológicas e testes de esforço", comenta Scarpi, que é coordenador do projeto.

Tantas pesquisas têm diversos objetivos. Um deles é alertar os esportistas para a possibilidade de desenvolverem problemas oftalmológicos. "Com os resultados poderemos identificar quais são os exercícios menos agressivos aos esportistas e até às pessoas que tem diabetes", explica o coordenador. Segundo ele, a importância da pesquisa reside no fato de que são poucos os estudiosos que se debruçaram sore este assunto até o momento. "Atualmente, não chega a seis a quantidade de publicações importantes sobre isso. Nunca houve um acompanhamento completo."

Custos - Os primeiros esportistas avaliados foram 10 atletas de jiu-jitsu de Jundiaí e região. Com os exames, foram gastos aproximadamente R$ 12 mil. Em três deles foi diagnosticada a necessidade do uso de óculos e em outro foi identificado um deslocamento de retina. A lesão foi reparada no mesmo dia.

A exp-ectativa é de que o projeto tenha um custo de R$ 1,3 milhão. A solicitação desses recursos foi feita na Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). "Enquanto a verba não sai, os estudos são financiados por Organizações de Oftalmologia e pela Esef", diz Conte. De acordo com ele, a conclusão dos estudos pode levar cerca de dois anos, mas, se o dinheiro necessário não sair, o processo pode ficar atrasado.

Além praticantes de esportes, a pesquisa também abrange pessoas que fazem caminhadas, corridas e treinamentos com pesos. "Não queremos restringir a prática. O objetivo é mostrar até onde as pessoas podem ir", enfatizou Scarpi, acrescentando que uma série de indicadores será levantada e um livro será lançado.