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Rio Preto News

Esponja brasileira contêm componentes que impedem tumores

Publicado em 17 maio 2006

Quatro tipos de geodiamolídeos, substâncias extraídas da esponja marinha Geodia corticostylifera, detêm a proliferação de células tumorais de mama. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela bióloga Marisa Rangel, no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, sobre a atividade biológica da espécie encontrada na costa brasileira.
"Os geodiamolídeos são peptídeos cíclicos, têm baixo peso molecular e capacidade para entrar nas células", explica Marisa, que é pesquisadora do Instituto Butantan. "Eles desorganizam os filamentos de actina do citoesqueleto das células tumorais, causando a morte das células, ou mesmo impedindo-as de se dividir."
No início da pesquisa, durante o doutoramento de Marisa no Instituto de Biociências (IB) da USP, o extrato metanólico da esponja foi testado em ovos de ouriço-do-mar. "Como o extrato inibiu o crescimento dos ovos, acreditamos que a Geodia corticostylifera possuía compostos bioativos", conta a pesquisadora. Em seguida, o extrato foi fracionado por meio de técnicas de cromatografia, e testado em cultivos de células tumorais.
"As frações que mais inibiram a proliferação celular passaram por análise de espectrometria de massas, para determinar quais estruturas eram responsáveis pelo efeito". Ao todo, foram identificados quatro tipos de geodiamolídeos, A, B, H e I. "Sem prejudicar as células normais, estas moléculas tiveram efeito mesmo em pequenas concentrações."Os resultados do estudo são descritos em artigo aceito para publicação no periódico Peptides.
Testes
A esponja Geodia corticostylifera é encontrada em toda a costa brasileira. A professora do ICB, Gláucia Maria Machado-Santelli, que orientou a pesquisa, ressalta que as esponjas possuem um índice de compostos com potencial bioativo maior do que as plantas.
"Possivelmente, devido ao fato de não se movimentarem, elas produzem substâncias químicas para se defender dos predadores", afirma. "Os compostos também podem ser gerados por microorganismos que vivem em simbiose com as esponjas."
Marisa aponta que alguns macrolídeos extraídos de esponjas já são submetidos a testes clínicos para o tratamento de câncer, em especial a Halicondrina B e as Latrunculinas A e B. "Embora nas fases iniciais da pesquisa os compostos possam ser obtidos das próprias esponjas, retiradas do mar ou cultivadas, estas substâncias devem ser sintetizadas em laboratório para testes clínicos antes de serem lançadas no mercado."
A pesquisa com a Geodia corticostylifera foi realizada no Laboratório de Biologia Celular e Molecular, do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB. Os testes químicos com os geodiamolídeos foram feitos no Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantan (Cepid-FAPESP), com a colaboração de Katsuhiro Konno. A identificação específica da esponja foi feita pelo Eduardo Hajdu , do Museu Nacional (Rio de Janeiro).