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Ciência Hoje

Esperança para o câncer de próstata

Publicado em 01 maio 2009

No Brasil, o câncer de próstata é o tumor maligno mais comum nos homens. Com a realização do exame anual de próstata, o tumor é atualmente descoberto nos estágios iniciais, quando a chance de cura é maior, porém, mesmo assim, em cerca de 30% dos casos há reincidência da doença. Com o intuito de reduzir essas estatísticas, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo estudam a possibilidade de usar uma molécula celular para antever as chances de o tumor reaparecer. Isso possibilitaria dar início a um tratamento adicional de forma precoce e, portanto, com maiores possibilidades de cura. A descoberta também poderia ser aplicada para outros tipos de câncer.

As moléculas em questão mantêm as células coesas, conservando a integridade dos órgãos e tecidos do organismo humano. São chamadas moléculas de adesão. A equipe do urologista José Pontes Jr. estuda a hipótese de que a perda dessas moléculas tornaria as células mais 'soltas', permitindo sua mobilidade e disseminação pelo corpo, o que caracteriza a natureza maligna do câncer.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Pontes Jr. estudou blocos de parafina contendo amostras de tumores de próstata de pacientes atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Foram pesquisadas amostras em estágios iniciais e avançados. A confirmação da relação entre a perda de adesão celular e a progressão do tumor se deu pela análise de casos avançados, quando o tumor já chegava a atingir o esqueleto. Nessas situações, há uma perda total das moléculas de adesão.

Vencedor do prêmio Saúde! 2008, da editora Abril, na categoria saúde do homem, Pontes jr. acredita que outros centros de pesquisa poderão confirmar os resultados de sua equipe. No entanto, para que haja uma utilização efetiva das moléculas de adesão como marcadores da doença, é necessário que sejam feitos testes em outros estágios do câncer de próstata. Assim, seria possível fazer uma previsão mais exata do comportamento biológico do tumor.