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Terra da Gente

Espécie de crocodilo é identificada em São Paulo

Publicado em 27 junho 2013

Por Rodrigo de Oliveira Andrade

Há muito se sabe que a Bacia Bauru (depósito de rochas formadas por sedimentos localizado entre os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) foi habitada, há milhões de anos, por uma abundante fauna de crocodiliformes, um grupo de répteis em que estão inclusos os crocodilos, jacarés e seus parentes pré-históricos extintos.

Entre as famílias que por lá viveram está a Baurusuchidae, que, na região, englobava outras seis espécies de crocodiliformes exclusivamente terrestres e com grande capacidade de deslocamento, crânio alto e comprimido lateralmente, e longos dentes serrilhados. Recentemente, em um artigo publicado na versão on-line da revista Cretaceous Research, um grupo de pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro e do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais, divulgou que mais um membro dessa antiga família foi identificado.

Com base em um crânio e mandíbula de aproximadamente 80 milhões de anos, parcialmente completos e muito bem preservados, que foram encontrados em camadas de rochas da Formação Adamantina, sítio paleontológico da fazenda Buriti, em General Salgado (SP), o grupo pôde descrever como era e vivia esse parente recém-descoberto dos crocodilos e jacarés que conhecemos hoje.

De acordo com o artigo, o Gondwanasuchus scabrosus, como ficou conhecido, foi um carnívoro terrestre de porte médio - 1,30 metro de comprimento -, com o crânio bastante comprimido lateralmente e uma dentição única com profundos sulcos que corriam da base até a ponta, o que pode ter lhes garantido maior resistência a quebras durante a alimentação e os ataques.

A característica também permitiu ao animal ocupar nichos ecológicos de alguns dinossauros carnívoros de pequeno porte do sudeste brasileiro, segundo o biólogo Thiago da Silva Marinho, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e autor principal do estudo. Além disso, Marinho completa que os dinossauros carnívoros eram escassos na região, o que pode ter contribuído para a proliferação desses crocodiliformes terrestres.

Confira a íntegra da matéria de Rodrigo de Oliveira Andrade na Agência Fapesp.