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Especialistas querem ousadia em planos para universidades

Publicado em 27 janeiro 2014

SÃO PAULO - Ao mesmo tempo em que a excelência de ensino deve ser a meta de todas as universidades brasileiras, algumas poucas instituições do país teriam hoje condições de dar um salto de qualidade e alcançarem o nível de classe mundial em pesquisa científica. Para que isso ocorra, as universidades vocacionadas precisam receber investimentos diferenciados para desenvolver planos institucionais ousados, afirmaram especialistas durante a abertura do simpósio Excellence in Higher Education.

O evento, que teve início na semana passada, é iniciativa da Fapesp em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e tem como objetivo debater os determinantes da excelência no ensino superior no Brasil e formular recomendações que poderão embasar políticas públicas.

A ABC defende, há pelo menos uma década, a diferenciação no sistema de ensino brasileiro com o reconhecimento de que as instituições têm vocação para desenvolver pesquisa de nível internacional.

"Diferenciar não quer dizer que uma parte do sistema é melhor ou pior que outra. Mas um sistema em que todas as partes são iguais em geral não funciona. Um sistema se caracteriza pela excelência de todas as suas partes, embora cada uma tenha função distinta da outra", avaliou o vice-presidente da ABC e assessor especial da diretoria científica da Fapesp, Hernan Chaimovich.

Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, o peso da ciência que cada universidade produz é um fator relevante e, portanto, o investimento não pode ser o mesmo para todas as instituições.

"A ciência, para ser de ponta, precisa de um investimento superior ao que está sendo feito no país. A sociedade precisa decidir em quais áreas devem ser feitos investimentos pesados e quais instituições têm perfil para trilhar esse caminho da internacionalização. Cada uma deve ter um perfil e uma área de excelência. Só assim o Brasil vai se tornar capaz de pautar a ciência internacional e não apenas ser pautado", afirmou, segundo notícia da agência Fapesp .

Na avaliação do presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, um dos possíveis critérios de seleção das instituições vocacionadas a atingir o status de classe mundial é o percentual de cursos de pós-graduação com conceitos 6 ou 7 - considerados de excelência em nível internacional - na Avaliação Trienal dos Programas de Pós-Graduação.

"Temos a USP na frente, com 89 cursos [com conceitos 6 e 7], seguida pelo grupo formado pela UFRJ, UFMG, Unicamp e UFRGS, que têm em torno de 30. Todas essas têm uma proporção de 40% dos cursos com conceitos 6 e 7. Depois, despenca. Se considerarmos apenas o conceito 7, a situação é ainda mais dramática", afirmou.

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, falou sobre os desafios para alcançar a excelência em pesquisa. Segundo ele, embora a produção científica brasileira tenha crescido significativamente nos últimos anos, o impacto dos artigos publicados continua abaixo da média mundial. "O que estamos fazendo de errado? Em algum momento o sistema parece ter entrado em um desvio buscando multiplicar a quantidade e não a qualidade", avaliou.

O vice-presidente da Fapesp, Eduardo Moacyr Krieger, destacou a preocupação da instituição com a excelência das universidades brasileiras. "Cerca de 80% da pesquisa feita no Estado de São Paulo e no Brasil ocorre no setor universitário. Portanto, temos a preocupação de que haja ambiente para isso. Espero que o resultado deste simpósio se some a outras vozes que clamam por mudança na estrutura das universidades brasileiras", disse.

Agências