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Especialistas espanhóis e brasileiros compartilham progressos em Ciências Políticas, câncer e Física

Publicado em 11 dezembro 2012

Por JPA

A Universidade de Salamanca apresentou no dia 7 de dezembro o simpósio ‘Fronteiras da Ciência no Brasil e Espanha’, um encontro que será realizado entre os dias 10 e 12 de dezembro dentro dos atos do 50º aniversário da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica do Estado de São Paulo (FAPESP). O encontro abordará três temas interessantes para os pesquisadores dos dois lados do Atlântico: as Ciências Políticas, o câncer e a Física.

Gonzalo Gómez Dacal, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, destacou o interesse que possui “uma atividade científica internacional”, que a partir de agora tem previsão de ser realizada todos os anos, de modo que em 2014 será realizada no Brasil. O encontro consiste na apresentação de temas que estão “na fronteira da ciência” nos quais trabalham tanto pesquisadores brasileiros, quanto espanhóis, em alguns casos com projetos comuns.

Os responsáveis por cada uma das três partes do encontro destacaram que a pesquisa científica no Brasil passa por um bom momento, já que atualmente possui melhor financiamento que a espanhola. Neste sentido, Gómez Dacal destacou um projeto associado à FAPESP através do qual jovens doutores da Universidade de Salamanca poderão passar até quatro anos em centros de pesquisa de São Paulo para desenvolver projetos de pesquisa. “O Brasil está fazendo um esforço de internacionalização”, assegurou, não apenas enviando para fora seus jovens para formar-se, mas também importando talento em um modelo muito parecido ao dos Estados Unidos.

Por outro lado, Manuel Alcántara, catedrático de Ciência Política e Administrativa, explicou que “existem problemas distintos” no âmbito da política brasileira e espanhola, pela diversidade de seus respectivos sistemas democráticos e de suas sociedades. No entanto, para este encontro foram identificados três nichos de interesse comum entre os especialistas: a descentralização, as políticas públicas e a liderança. Importantes grupos de pesquisa se encontrarão na segunda-feira, 10, para analisar estes âmbitos dentro de uma agenda na qual se destaca a presença do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso.

Alberto Orfao, cientista do Centro de Investigação do Câncer (CIC), explicou que no âmbito biomédico o simpósio analisará sobretudo “os mecanismos moleculares alterados nas células tumorais”. Especificamente, o encontro aborda dois aspectos: a identificação das alterações através de diversas técnicas, como a genômica e a proteômica; e a descoberta de alvos terapêuticos, isso é, aspectos concretos dessas alterações que possam servir para o desenvolvimento de novos medicamentos.

Genética e epigenética

Apesar destes dois temas serem centrais neste simpósio, “as alterações genéticas não explicam tudo”, adverte Orfao. Por isso, a conferência de abertura desta parte, que será realizada dia 11, abordará a epigenética, isso é, “tudo o que se relaciona com a expressão dos genes e que não está escrito diretamente nos genes”. O protagonista desta sessão será Manuel Esteller, diretor do Programa de Epigenética e Biologia do Câncer do Instituto de Investigação Biomédica de Bellvitge (Idibell) e professor de Genética da Universidade de Barcelona, que é um dos maiores especialistas mundiais neste campo.

Especialistas do CIC como Atanasio Pandiella e Xosé Bustelo exporão os últimos progressos sobre tratamento do câncer de mama, enquanto Rogelio Gonazález Sarmiento explicará o impacto da tecnologia no estudo do câncer. Por parte do Brasil, destaca-se a presença de cientistas do Hospital A. C. Carmago, líder em pesquisa oncológica no país, que estudam o câncer de cabeça e pescoço, e o câncer colorretal.

Orfao destacou que a colaboração no âmbito do câncer entre a Universidade de Salamanca e os cientistas brasileiros já tem mais de uma década de idade, e é realizada com várias universidades do Estado de São Paulo. Dentre os projetos em desenvolvimento, destacam-se as tecnologias de métodos diagnósticos e os tumores hematológicos.

Por outro lado, no campo da Física não existem de momento projetos comuns, mas precisamente este simpósio pode servir de ponto de partida, conforme explicou Javier Mateos, professor do Departamento de Física Aplicada, organizador da jornada de Nanotecnologia, Materiais e Fotônica, que será realizada na quarta-feira, dia 12. Mateos destacou o “aumento da produtividade” científica nestes campos por parte da Universidade de Salamanca nos últimos tempos.

Grafeno

Um dos temas importantes do simpósio será o grafeno, um material com grande potencial de aplicações no campo da eletrônica e da tecnologia em geral, sobretudo pelas possibilidade que oferece para “transmitir dados mais rápido”.

Ainda que por fim não possa comparecer Konstantin Novoselov, prêmio Nobel de Física 2010, segundo estava previsto, esta parte do simpósio também terá um alto nível científico pela presença de destacados especialistas espanhóis e sobretudo brasileiros, por parte da Universidade de Campinas (Unicamp).

Como parte da programação deste encontro, Salamanca receberá duas exposições: ‘A Natureza Brasileira’ e ‘Pernambuco: Recife, um itinerário barroco, e Olinda, Patrimônio Cultural da Humanidade’, que poderão ser vistas na Hospedaria Fonseca e no Palácio Maldonado, respectivamente. Por outro lado, o simpósio conta com uma segunda parte que será realizada nos dias 13 e 14 na Casa do Brasil, em Madri, com temas semelhantes e distintos protagonistas.