Notícia

Jornal da Tarde

Especialistas discutem uso de fibras naturais em automóveis

Publicado em 31 maio 2000

Autoridades de 30 países participaram de simpósio cujo tema foram as vantagens da fibra vegetal em relação à de vidro, ao plástico e até ao aço Sisal, coco, juta, cana-de-açúcar, carauá (vegetal da Amazônia) e rami (cultivado no Paraná poderão cada vez mais ser hostilizados em automóveis. O tema foi discutido no Terceiro Simpósio Internacional de Compósitos e Polímeros Naturais, realizado entre os dias 14 e 17 deste mês em São Pedro (SP), e que contou com presença de 300 especialistas de 30 países. Essa é mais uma tentativa de fazer o uso desse tipo de material decolar na indústria automobilística. Segundo Alcides Lopes Leão, pesquisador e especialista em Ciências Ambientais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as fibras vegetais são mais baratas do que as outras fibras existentes. "A fibra de plástico custa mais de R$ 2,00 o quilo; a de vidro varia de R$ 4,00 a R$ 6,00, enquanto a natural sai por R$ 1,00 o quilo", diz. Além disso, segundo ele, as fibras naturais colaboram também com o meio ambiente, como mostra uma pesquisa que está sendo desenvolvida pela Unesp em parceria com a General Motors e com a Mercedes. "Um banco de automóvel de fibra de coço, por exemplo, além de ser mais barato para a empresa, é mais saudável e seguro para o motorista", afirma Leão. "A fibra de coco permite maior transpiração e agüenta mais peso, além de produzir fumaça menos tóxica em caso de incêndio, se comparada aos bancos convencionais." Ele diz que a juta está sendo usada em teste nas laterais das portas dos automóveis, e mostrou-se mais forte, além de não deixar pontas em caso de acidente. "A resistência por peso da juta é maior do que a do aço", garante. "Um grama da fibra natural agüenta mais peso do que a do metal." Leão afirma também que são materiais renováveis e recicláveis, e que não contribuem para o efeito estufa. NATUREZA: Bancos de carros moldados em fibra de coco são mais cômodos para o ocupante, argumenta o pesquisador Alcides Leão, da Unesp (á direita). O material natural também apresenta como vantagens ser renovável, custar menos do que compostos sintéticos e suportar mais peso.