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Fundep - Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa

Especialistas discutem desafios para acelerar transferência de tecnologia

Publicado em 29 maio 2015

Realizado pela Fapesp em parceria com os Centres de Recerca de Catalunya (Cerca), o evento ocorre até hoje (29/05), no Sant Pau Art Nouveau Site, em Barcelona, reunindo pesquisadores de São Paulo e da comunidade autônoma da Catalunha.

Em 2014, a Fapesp e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) abriram a primeira seleção pública para o desenvolvimento do novo síncrotron brasileiro, batizado com o nome de Sirius, que está sendo construído pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. O objetivo é apoiar o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores oferecidos por empresas no Estado de São Paulo.

De acordo com Harry Westfahl Júnior, do LNLS, um dos participantes da mesa-redonda que discutiu a transferência de tecnologia na pesquisa brasileira e na Catalunha, a iniciativa busca desenvolver tanto a instituição, por meio do provimento de parte da tecnologia necessária para o funcionamento do Sirius, como as empresas que atuam em São Paulo.

"Todo o projeto de desenvolvimento do Sirius foi estruturado de forma que o investimento não ocorresse somente na ciência em torno do acelerador, mas também se revertesse para a economia local. Quando você precisa que companhias se envolvam no projeto e produzam tecnologia, é importante criar meios para que elas também se desenvolvam", disse.

Para o pesquisador, a parceria melhora a instituição, que se beneficia da tecnologia produzida, e as empresas, que aprendem e absorvem técnicas e processos novos.
Uma das primeiras fontes de luz síncrotron de 4ª geração em todo o mundo, o Sirius será composto por um acelerador síncrotron de 3 GeV e 0.28 nm radiano de emitância, permitindo que o Brasil se mantenha competitivo na área pelas próximas duas décadas, o que exige novas tecnologias.

"As centenas de magnetos que compõem o acelerador se parecem com partes de motores ou geradores, mas possuem algumas especificidades. A empresa que está trabalhando nisso logo percebeu que essas especificidades estavam além do que ela fazia até então e chegou a montar um laboratório em meio às suas instalações dedicadas ao Sirius. Foi um investimento que não só permitirá atender às necessidade do acelerador, mas que também fez com que a empresa crescesse e ampliasse seu core business", exemplificou Westfahl Jr.

Os recursos da chamada da FAPESP com a Finep, já em fase de seleção, serão de R$ 40 milhões, divididos igualmente entre as duas instituições. Foram submetidas 22 propostas e cada uma das selecionadas poderá receber até R$ 1,5 milhão.

Vale do Silício brasileiro

Em julho do ano 2000, a revista norte-americana de tecnologia Wired definiu a cidade paulista de Campinas, onde está sendo construído o Sirius, como "a líder na revolução das comunicações no Brasil" e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como "a resposta do Brasil ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)". Para Hugo Luis Fragnito, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp, o reconhecimento se deve ao modelo de transferência de tecnologia adotado pela instituição desde a década de 1970, que levou à criação de um programa na área de comunicações ópticas e, em seguida, ao desenvolvimento da primeira fibra óptica brasileira.

"Trata-se de um modelo simples, que passa da universidade para as indústrias por meio de centros de pesquisa e desenvolvimento, mas que contempla também a transferência de ?cérebros? - os pesquisadores são transferidos junto com a tecnologia, contribuindo para que não só ela avance, mas também o conhecimento", disse na mesa-redonda.
Fragnito chamou a atenção para o papel da universidade no processo. "É preciso que as instituições, além de boas ideias, tenham pessoal adequadamente treinado para dar suporte ao pesquisador, criando um ambiente favorável à identificação de oportunidades. A Catalunha tem experiências positivas nesse sentido, especialmente em áreas ligadas à biotecnologia", comentou.

É o caso do Vall d'Hebron Institut d?Oncologia (VHIO), em Barcelona, que atua na identificação de novos fundos de pesquisa e de patrocinadores externos e instituições filantrópicas para financiamento de inovações e fornece suporte administrativo, técnico e científico contínuo a pesquisadores, incluindo supervisão de procedimentos de patentes.

Para Laura Soucek, do VHIO, que também participou das discussões, o maior desafio é lidar com a dificuldade dos pesquisadores em tratar de desenvolvimento de negócios em suas áreas de atuação.

"É preciso ter na equipe alguém especializado em negócios e a universidade deve dar esse suporte aos pesquisadores. O Brasil, em termos de gerenciamento da transferência de tecnologia em projetos de grandes proporções, como o Sirius e outras iniciativas na Unicamp e nas demais universidades de São Paulo, está à frente e tem muito a ensinar com as pontes que estão sendo construídas entre instituições de pesquisa e empresas", disse à Agência Fapesp.

Fonte: portal Agência Fapesp