Notícia

Terra

Especialistas defendem investimentos em pesquisas com etanol

Publicado em 13 março 2012

Por Sabrina Bevilacqua

O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, afirma que há uma crescente necessidade por recursos para pesquisa e inovação. "Com o etanol houve uma explosão na demanda por pesquisas", diz. "Esperávamos uma demanda de empresas brasileiras de R$ 1 bilhão para projetos na área de biocombustível e recebemos pedidos que somam R$ 14 bilhões para crédito de pesquisas e desenvolvimento", explica.

De acordo com Arbix, que participou do programa Sustentabilidade, do Terra, com o coordenador da área de Pesquisa para Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Sérgio Queiroz, avanços com o pré-sal, se combinados com desenvolvimento na área de etanol, podem fazer o Brasil se transformar na maior potência energética do mundo.

Ambos apostam na pesquisa e desenvolvimento do etanol de segunda e outras gerações como oportunidade para que o Brasil se coloque na posição de líder mundial na área. "O petróleo é e por muito tempo será a base energética do planeta, por isso o pré-sal tem de ser aproveitado. Mas o etanol vem aparecendo como biocombustível avançado e sua demanda está crescendo. O Brasil pode ser o grande produtor não só de etanol, como também de outros produtos da cadeia", diz Queiroz.

Arbix ressalta que o salto que o Brasil deu na área de inovação durante os últimos anos foi impressionante, mas que ainda falta muito para cobrir o déficit de pesquisas que o País tem. "Os recursos são limitados, quando não são cortados. Falta dinheiro para ciência, tecnologia, inovação, pesquisa. Falta hoje e vai faltar depois."

Para o presidente na Finep, na comparação com os outros países que formam o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil está bem. Ele afirma que 1,2% do PIB brasileiro é investido na área de pesquisa, valor parecido com os dos outros países do grupo. Na opinião do sociólogo, o problema está em como e onde é investido o dinheiro, afinal, a Petrobras responde pela maior parte dos recursos do setor privado.

Queiroz discorda. Ele afirma que, comparando com os Brics, os recursos para pesquisa no Brasil não estão crescendo da forma como deveria. "Há anos a China investia muito menos que a gente em pesquisa e tecnologia e hoje grau de investimento é quase igual." Para ele, o nosso ritmo de crescimento nessa área ainda é fraco.