Notícia

Gazeta Mercantil

ESPECIALISTAS DEBATEM RISCOS DA INFORMAÇÃO GLOBAL

Publicado em 11 junho 1996

Por POR RENATA BERNARDES - DE ISTAMBUL
A série de diálogos temáticos para o Século XXI promovida pela Habitat chega ao final hoje, depois de analisar a situação atual e sugerir soluções para os problemas relacionados a transporte, energia, democracia e cidadania, emprego, finanças e água nas cidades do futuro. O assunto de ontem foi Cidades, Comunicação e Mídia e reuniu um público de quinhentas pessoas, a maioria ligada ao mundo da informação. O diálogo foi patrocinado pelo grupo World Com, uma multinacional das Relações Públicas. As propostas resultantes do debate serão encaminhadas amanhã à Agenda Habitat que será votada no plenário da Conferência nos dias 12 e 13. O diálogo sobre Comunicação e Média teve seu foco principal, como era de se esperar, nos efeitos da globalização da informação. Nos próximos dez anos as cidades serão a chave do progresso social e da sustentabilidade do ambiente e nelas a telecomunicação desempenhará um papel cada vez mais importante. Se não quisermos vir a reboque da globalização, temos de utilizá-la para modificar o sistema e melhorar a qualidade de vida, foi o desafio proposto pelo presidente da Elcatel Telekon, Lufti Yenel, responsável pelas telecomunicações na Turquia. Segundo ele, em 2011 as redes de informação representarão o combustível alternativo da sociedade, eliminando, só em Istambul, 6 milhões de viagens diárias entre residências e escritórios e 9 milhões de quilômetros de fretes e correios. Ele afirma que as mudanças nesta área serão ainda mais rápidas do que vêm sendo feitas nos últimos anos e obrigarão as fornecedoras de equipamentos, cada vez mais, a se adaptar às exigências dos clientes. Disse também que os objetivos da indústria da informação não serão mais definidos por critérios da microeconomia, mas serão parte da discussão da macroeconomia, devido a sua contribuição para os PNBs e serviços sociais. Uma das questões mais calorosamente discutidas durante o debate foi se os avanços tecnológicos da telecomunicação e a globalização da informação, em vez de aproximar, não contribuíram para aumentar ainda mais a defasagem entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento e, dentro destes, entre os diferentes grupos sociais. Os representantes dos países pobres presentes ao encontro garantiram que a exclusão só tenderá a crescer, a não ser que se consiga utilizar os novos meios existentes para a educação e criação de novos empregos. Outros levantaram que a liberalização do mercado da informática tem fortalecido os cartéis e monopólios, pois as pequenas indústrias não têm como competir com os gigantes do mercado internacional, alertando para o fato de que a centralização é uma ameaça à democracia. As sugestões foram de que os governos regulamentem e não desregulamento em o mercado da informação. O papel da sociedade organizada na democratização da informação foi destacado como fundamental por todos os expositores, já que vários deles lembraram que nenhum regime, até hoje, conseguiu controlá-la por muito tempo. A tomada de consciência das pessoas vai provocar novas soluções, saídas criativas, garantiu Bárbara Pyle, editora de meio ambiente da CNN, que fez uma das apresentações mais aplaudidas da reunião.