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Especialistas de vários países se reuniram na Unifesp para desenvolver a integração de pesquisas na área de psiquiatria

Publicado em 01 abril 2013

Por Edna Ferreira

A Unifesp promoveu entre os dias 25 e 29 de março em parceria com a USP, a UFRGS, a Universidade de Columbia (EUA) e o Kings College, da Inglaterra, a Y-Mind São Paulo School of Advanced Science for Prevention of Mental Disorders. O evento, financiado pela Fapesp, foi realizado no anfiteatro Marcos Lindenberg/Unifesp e reuniu aproximadamente 80 especialistas de vários países com o objetivo de integrar novas pesquisas, além das já existentes, na prevenção de transtornos mentais, emocionais e comportamentais.

Para Jair Mari, professor do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp e coordenador do evento, o encontro foi um sucesso. "A Escola de Ciência Avançada Y-Mind conseguiu reunir os principais investigadores brasileiros e internacionais na área, para desenvolver uma integração efetiva de novas pesquisas e aquelas em andamento na área da prevenção dos transtornos mentais, emocionais e comportamentais (MEB). Esta iniciativa vai permitir uma inovação radical no campo de prevenção dos transtornos mentais, e tem a pretensão de influenciar as políticas de saúde mental no Estado de São Paulo e no país, contribuindo para colocar a psiquiatria brasileira na vanguarda do conhecimento global", avaliou.

Entretanto, os resultados positivos do evento não se resumem a integração dos participantes. De acordo com o professor Jair uma publicação especial poderá reunir os temas do encontro. "Estamos negociando um suplemento especial do British Journal of Psychiatry, com os principais temas apresentados pelos acadêmicos e estudantes. Tanto os acadêmicos quanto os estudantes estrangeiros ficaram impressionados com o nível de discussão dos participantes brasileiros, havendo manifestações de ingressar como doutorado ou pós-doutorado nos programas paulistas (UNIFESP, USP, USP/RP e URGS)", anima-se.

Destaque

Mesmo diante de vários trabalhos interessantes apresentados no evento, o professor Jair Mari destacou a presença do americano Bruce Cuthbert. "Uma participação que causou grande impacto foi a do Dr. Bruce Cuthbert, diretor da divisão de desenvolvimento de pesquisa translacional e tratamento do "National Institute of Mental Health" (NIMH), dos Estados Unidos. O NIMH esta propondo um novo sistema de classificação dos transtornos mentais com base no "Research Diagnostic Criteria" (Rdoc)", disse.

Os sistemas de diagnóstico são baseados na observação de sintomas, que só se manifestam quando a pessoa já está doente e que fornecem informações limitadas, sobre o que está acontecendo no cérebro do paciente. Para falar de prevenção ou remissão dos sintomas é preciso compreender os mecanismos cerebrais que estão envolvidos no surgimento dos sintomas. Segundo os pesquisadores, é preciso rever a maneira como as doenças psiquiátricas são classificadas.

"A ideia seria abandonar este modelo compartimentado onde cada indivíduo recebe uma única classificação. Por exemplo, hoje é possível que dois casos classificados como transtornos distintos tenham raízes genéticas comuns, envolvendo um mesmo circuito neuronal, permitindo que eles sejam tratados de forma semelhante. Em resumo, genótipos semelhantes poderiam originar fenótipos distintos e vice versa. Essas doenças não existem isoladamente como pensamos nelas atualmente", explicou Mari.

Ainda segundo ele, o que existem são modelos teóricos que foram desenvolvidos para organizar as pesquisas. "Esse modelo foi importante para chegar onde estamos hoje, mas ele já se esgotou. Precisamos de um novo paradigma, e o Rdoc é bastante promissor neste sentido", comentou.

A Y-Mind é mais uma iniciativa de um grupo de pesquisadores que, juntamente com a implementação de um Centro Internacional de Prevenção para os Transtornos Mentais, pretende mudar radicalmente as políticas de saúde mental no país e colocar a psiquiatria brasileira na vanguarda do conhecimento global.

(Jornal da Ciência)