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Bahia Política

Especialistas criticam propostas levadas por Frota ao ministro da Educação

Publicado em 26 maio 2016

Após a grande repercussão sobre o encontro do ex-ator de filmes adultos, Alexandre Frota e de componentes  do grupo Revoltados Online ao ministro da Educação, Mendonça Filho, para a entrega de proposta sobre uma escola sem partido, especialistas, entrevistados pelo  Jornal  em educação criticaram, O Estado de S. Paulo, criticaram a sugestão. Para eles, a proposta pode tanto ser interpretada tanto como um atentado à liberdade de cátedra quanto uma distorção do papel do educador de oferecer o melhor do conhecimento disponível, com suas contradições, aos alunos.

O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo e ex-reitor da Universidade de São Paulo, o físico  José Goldemberg, acredita que pode ser considerado um posicionamento retrógrado. “Não é possível não se discutir filosofia e política nas escolas. O que a gente chama de política é algo que Platão fazia há 2.500 anos. É claro que temos de evitar que um professor dissemine política partidária, mas não puni-lo”, afirmou. Ele diz acreditar que isso se resolve com as bases curriculares. “E para limitar a discussão de assunto em escolas, quem deve decidir não são grupos de militantes, mas de educadores. Se o ministro acha que tem de enfrentar esse assunto, que crie uma comissão com o mais alto nível de educadores – que são muitos no Brasil” ressaltou.

Já o professor de Ética e Filosofia Política da USP e ex-ministro da Educação, o filósofo Renato Janine Ribeiro, acha que a proposta degrada o próprio conceito de educação. “A pretexto de reduzir algum caráter ideológico do ensino, essa proposta coloca em risco todo o ensino. No limite, não se vai poder falar de ciência, do que as ciências sociais e políticas descobriram nos últimos 200 anos. Isso é contra a modernidade”, criticou.

Redação 01